Inflação de alimentos pode voltar a pressionar
No campo, os fertilizantes aparecem como uma das principais fontes de pressão
No campo, os fertilizantes aparecem como uma das principais fontes de pressão - Foto: Pixabay
A inflação de alimentos nos Estados Unidos pode voltar a ganhar força entre o segundo semestre de 2026 e 2027, pressionada principalmente pela alta dos combustíveis e pelo aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva. A avaliação aponta para um cenário em que a energia se torna o principal vetor de encarecimento, com reflexos desde a produção agrícola até o transporte, o armazenamento e a chegada dos produtos ao consumidor.
Segundo o Rabobank North America, por meio da área RaboResearch, a inflação total de alimentos nos Estados Unidos deve encerrar 2026 entre 4% e 6% em dezembro. Para 2027, a projeção indica alguma moderação, mas ainda em patamar elevado, entre 3% e 5% no acumulado do ano.
O relatório “Energy Shock Waves: US Food and Inflation Risk in 2026-27”, divulgado em 22 de maio, aponta que as tensões geopolíticas e a dinâmica do mercado de energia ampliam o risco inflacionário no sistema alimentar norte-americano. A análise cita como fator de curto prazo a pressão de custos ligada ao fechamento do Estreito de Hormuz, em meio aos efeitos econômicos da guerra envolvendo o Irã.
A RaboResearch avalia que preços de energia mais altos e voláteis elevam despesas em diferentes etapas da cadeia, incluindo fabricação de fertilizantes, operações nas fazendas, processamento, armazenagem refrigerada, transporte e embalagens. Esse movimento forma um ciclo de pressão de custos que começa na base produtiva e se espalha até o varejo.
No campo, os fertilizantes aparecem como uma das principais fontes de pressão. Com energia mais cara, determinados agroquímicos podem subir rapidamente, elevando o custo de produção de grãos e oleaginosas. Esse aumento tende a encarecer a ração animal e, posteriormente, carnes e lácteos.
Nos hortifrútis, a pressão deve aparecer mais em altas localizadas de preços do que em escassez generalizada. O setor de panificação também enfrenta risco maior de inflação, com trigo, farinha, açúcar e óleos vegetais sujeitos a custos mais elevados e maior volatilidade.
Do lado do consumo, a reação das famílias tende a ser mais fraca do que no ciclo pós-pandemia. Sem a mesma poupança acumulada, consumidores devem buscar marcas mais baratas, embalagens menores, promoções e canais de maior valor, com impacto mais forte sobre famílias de baixa e média renda.