Inflação desacelera, mas câmbio mantém pressão
O IPCA avançou 0,07% em julho ante junho
O IPCA avançou 0,07% em julho ante junho - Foto: Canva
A inflação brasileira mostrou sinais de moderação em julho, enquanto a atividade econômica e o comportamento do câmbio mantêm pontos de atenção para os próximos meses. Segundo análise do Rabobank, o cenário combina alívio recente nos preços, política monetária ainda restritiva e incertezas externas que seguem influenciando os mercados.
O IPCA avançou 0,07% em julho ante junho, acima da projeção de estabilidade do Rabobank e da expectativa de 0,01% do mercado. Em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,6% para 4,4%, retornando a um nível ligeiramente abaixo do limite superior da meta, de 4,5%. O resultado também refletiu novas quedas nos preços de alimentos e combustíveis, reforçando a leitura de melhora da inflação corrente.
A ata do Copom indica que os juros elevados continuam sendo transmitidos gradualmente para a atividade. Ao mesmo tempo, as expectativas de inflação desancoradas exigem manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo, com atenção aos efeitos secundários sobre os preços.
No varejo, as vendas restritas cresceram 0,5% em junho, mas o índice ampliado recuou 1,0%, sinalizando possível perda de ritmo no setor. Para o IBC-Br de junho, o Rabobank projeta queda mensal de 0,7%, com crescimento anual desacelerando para 2,0%.
No mercado financeiro, o real encerrou a última semana em R$ 5,2228 por dólar, com desvalorização de 2,8%. A instituição prevê retorno da cotação a R$ 5,35 até o fim do ano, diante da expectativa de redução do diferencial de juros entre o Brasil e economias avançadas, possível recuperação global do dólar e fragilidade fiscal doméstica em ano eleitoral. No exterior, a tensão entre Estados Unidos e Irã permanece no radar, enquanto o petróleo Brent segue volátil, próximo de US$ 90 por barril.