Instabilidade global eleva incertezas no trigo
“O Brasil não é autossuficiente em trigo"
“O Brasil não é autossuficiente em trigo" - Foto: Mateus Zardin
A cadeia brasileira do trigo entra em 2026 sob pressão de custos elevados, menor oferta interna e maior dependência externa. O cenário amplia as incertezas para a moagem e pode afetar a produção de pães, massas, biscoitos e bolos.
A redução da área cultivada, somada a fatores climáticos e econômicos, deve diminuir a safra em 23,5% na comparação anual, segundo a Conab. Com isso, as importações previstas para 2027 poderão crescer em 1,9 milhão de toneladas. O excesso de chuvas no Rio Grande do Sul também preocupa pelos possíveis efeitos sobre produtividade, qualidade e volume disponível.
“O Brasil não é autossuficiente em trigo e, por isso, qualquer turbulência externa tem impacto direto sobre custos, disponibilidade e previsibilidade do abastecimento”, afirma o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo - Abitrigo, Rubens Barbosa.
No ambiente internacional, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio seguem elevando custos de energia, combustíveis, fretes, seguros e logística. Como o Brasil não é autossuficiente e depende principalmente da Argentina, oscilações externas afetam o planejamento e a previsibilidade do abastecimento.
A Abitrigo afirma que não há risco de falta do cereal no mercado interno, mas destaca a necessidade de gestão de riscos e acompanhamento constante. Outro ponto de atenção é a desvalorização do farelo de trigo, pressionada pela queda do milho, o que reduz receitas da moagem e aumenta a pressão sobre os preços da farinha. “A segurança do abastecimento de trigo passa por planejamento, gestão de riscos e acompanhamento constante dos mercados. O setor está mobilizado, mas o contexto exige vigilância permanente”, conclui Barbosa.