Instituto AgroGalaxy promove acesso a novas soluções no campo
Ao completar um ano de atividades, o Instituto AgroGalaxy comemora a chegada das primeiras soluções para atender às principais demandas dos agricultores
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Ao completar um ano de atividades, o Instituto AgroGalaxy comemora a chegada das primeiras soluções para atender às principais demandas dos agricultores para integrar à sustentabilidade ao seu modelo produtivo. Após um processo de seleção de investimentos que começou com a candidatura de 140 startups e avaliação de cerca de 80 projetos, virou realidade o objetivo de viabilizar e impulsionar produtores rurais através de novas tecnologias e serviços, além de conectar o ecossistema de inovação aberta ao campo, beneficiando especialmente aqueles que tem pouco acesso a essas soluções.
Mônica Alcântara, vice-presidente do Instituto AgroGalaxy, afirmou em entrevista exclusiva ao Agrolink que a missão do projeto é entregar soluções ao campo. “Diferente de outras instituições que, ou aportam recurso em startups e as deixam livres para se desenvolverem, ou patrocinam um projeto específico de uma ONG (Organização Não Governamental), nós temos o olhar em soluções que já estejam prontas e que possam ser implementadas para serem testadas por nossa rede de clientes”, destacou ela.
O primeiro desafio, lançado em março de 2022, buscou soluções para apoiar sistemas agrícolas regenerativos com adoção de produtos e serviços que reduzem o impacto ambiental dos modelos produtivos. Nessa fase, o primeiro lugar ficou com a Tarvos, que apresentou uma solução para o Monitoramento Integrado de Pragas (MIP), com foco em Spodoptera frugiperda, uma lagarta que é uma verdadeira ‘dor de cabeça’ para os produtores de soja, milho e algodão.
Já o segundo lugar ficou com a Dana Agro, que criou uma biossolução de base vegetal com capacidade de quebrar a resistência de plantas daninhas a herbicidas, como o glifosato, podendo, assim, reduzir o volume de herbicidas para o controle dessas espécies. E na terceira posição ficou a Solusolo, que apresentou uma cepa biológica equilibrada, denominada TMT Kaizen e composta por aproximadamente 1.500 espécies de fungos, bactérias e protozoários.
O segundo desafio, lançado em setembro de 2022, buscou ferramentas educacionais inovadoras e acessíveis para apoiar o produtor rural na aplicação de práticas sustentáveis em suas propriedades. Três soluções foram escolhidas para teste. A primeira foi a CertifiCafé, que apresentou uma solução digital que simplifica e digitaliza o processo de preparação da propriedade para a certificação do café, reduzindo tempo, custo e burocracia.
A segunda foi a IZagro, que apresentou uma ferramenta de serviço de assistência técnica digital a produtores e tem o viés de capacitação de pequenos produtores com recomendações com foco na agricultura regenerativa. A terceira startup selecionada foi a Entendi Agro, que apresentou uma plataforma de ensino EAD, com metodologia própria de ensino e que estimula a inclusão digital no campo com a linguagem adequada ao público-alvo.
De acordo com Mônica Alcântara, o Instituto AgroGalaxy já pode ser considerado um “player diferenciado no mercado”, justamente por proporcionar às startups a conexão com uma grande rede de produtores rurais dispostos a implementar inovação para a sustentabilidade nas fazendas. Além disso, esses desenvolvedores acessam os centros tecnológicos agronômicos e áreas polos
do AgroGalaxy, que é uma das maiores distribuidoras de insumos da América Latina.
“Normalmente, as startups têm dificuldade de levar as suas soluções para um campo de teste. No nosso caso, eles ganham isso, além de uma equipe técnica altamente qualificada com experiência em protocolos de manejo integrado e focada no acompanhamento dos projetos. Um dos grandes atrativos do Instituto AgroGalaxy para um ambiente de inovação é já ter a base pronta para testar as soluções, não precisar procurar isso no mercado, e, além disso, contar com o apoio da nossa equipe de relacionamento com o cliente. Existe aí um aprendizado mútuo”, explica ela.
A vice-presidente do Instituto AgroGalaxy ressalta que, apesar de bons resultados já no primeiro ano, o objetivo é “avançar muito mais para promover o impacto na ponta da cadeia”. Segundo ela, após garantir que essas soluções são eficazes, o segundo passo é assegurar que essas soluções tenham mercado, tenham campo e sejam acessíveis principalmente ao pequeno e médio produtor.
“O grande ponto positivo desse primeiro ano foi reconhecer que a nossa tese tem sentido, porque existe essa carência no mercado. Ouvimos isso dos pesquisadores e das startups. Ao mesmo tempo, conseguimos muito rapidamente fazer essa conexão com o produtor rural. A ideia do Instituto não é levar produto do AgroGalaxy exclusivamente para o cliente, mas sim usar a estrutura do AgroGalaxy para levar ao mercado soluções acessíveis e viáveis, principalmente para o pequeno e médio produtor”, afirma a executiva.
Bruno da Conceição Luiz, analista de sustentabilidade do Instituto AgroGalaxy, afirmou ao Agrolink que o momento atual é de aplicação a campo das soluções do segundo desafio. Para isso, está sendo feita a capacitação e educação de produtores e de trabalhadores rurais. Segundo ele, esse também é um desafio, pois é menor a quantidade de startups trabalhando com esse tema, além da preocupação com que a inovação sirva para a inclusão e não o contrário. A tecnologia precisa ser acessível para dar ganho de escala e impacto socioambiental.
O QUE VEM POR AÍ
Os próximos passos do Instituto AgroGalaxy vão na direção do desenvolvimento de um plano para captação de recursos e formação de parcerias. O objetivo é ampliar o impacto positivo das soluções ao criar uma rede de colaboração para os temas mais desafiadores e comuns à sustentabilidade do agronegócio, fortalecendo a dimensão da educação como elemento transformador no campo. Além disso, existe um foco na evolução contínua de governança, com a estipulação de políticas norteadoras para uma gestão ética, bem como o estabelecimento de um Programa de Integridade.
Mônica Alcântara aponta que o Instituto AgroGalaxy evoluiu com o aprendizado, e percebeu que há outros agentes no mercado agro tentando resolver as ‘dores’ do produtor rural: “Por isso pensamos em trabalhar de forma colaborativa, abrindo o processo para outros players do mercado. O próximo desafio vai ser uma iniciativa com foco na colaboração, onde vamos incorporar outros agentes, seja para metodologia, recursos financeiros, estrutura física, etc.”
Para o futuro, o Instituto AgroGalaxy deseja ser reconhecido como um agente que contribui com essa agenda – a transição para agricultura regenerativa e sustentável. Outro diferencial do Instituto, afirma ela, é ter em sua governança uma atuação forte, representativa, com pessoas de referência, qualificadas e engajadas no movimento pelo agro sustentável no Brasil.
“Temos cinco conselheiros independentes, externos e voluntários que estão no mundo inteiro atuando nesta agenda de agricultura sustentável e regenerativa. Eles são altamente participativos e contributivos. O que nos garante, em primeiro lugar, que fazemos algo realmente relevante, que estamos no caminho – e que vamos nos manter no caminho”, comenta a executiva.
Outro diferencial, destaca, é a capacidade de mobilizar uma rede de voluntários, atualmente em torno de 30 pessoas. São profissionais do AgroGalaxy que fornecem todo o apoio jurídico, comercial, técnico, de marketing e comunicação, dedicando horas do seu trabalho para o Instituto. “Para o Instituto AgroGalaxy crescer em termos de impacto, vamos precisar de maior apoio, pois nossa estrutura é reduzida. Hoje contamos com todos esses executivos no Conselho, na diretoria executiva e toda essa mão de obra voluntária dos nossos colaboradores”, são pessoas que fazem o sonho se tornar realidade, conclui.