Invasão de propriedades impede ‘brasiguaios’ de produzir
A soja semeada há quase dois meses cresce bonita, mas pertinho dali, ao alcance da vista uma grande área de terra continua sem ser plantada
Agricultores brasileiros que moram no Paraguai não estão conseguindo cultivar a terra. Muitas propriedades estão invadidas por integrantes de movimentos sem-terra do país vizinho. A reforma agrária é uma das promessas de campanha do presidente Fernando Lugo, que tomou posse em agosto deste ano.
A soja semeada há quase dois meses cresce bonita, mas pertinho dali, ao alcance da vista uma grande área de terra continua sem ser plantada. Está invadida por sem-terra.
“Temos um limite que tem uma franja de proteção, um bosque de proteção, 1.800 metros estão invadidos e uma extensão de nove quilômetros que está invadida e 1.600 hectares de cultivo que somam parte da minha propriedade e mais cinco vizinhos que estão afetados com essa invasão”, diz Sérgio Hoppe, agricultor.
No distrito paraguaio de San Alberto, aproximadamente 10 quilômetros de Foz do Iguaçu, 95% dos produtores rurais são brasileiros. Muitos deles contrataram seguranças armados e mesmo assim têm tido problemas com plantio.
“Esse adubo era pra plantar milho, que seria o plantio da época de setembro e está tudo aí abandonado porque não pude plantar. E, agora, com esses custos altos, não sei onde guardar, não sei quando vou plantar e, se não plantar nesse mês ainda, vou ter que guardar. As contas estão feitas pra pagar no próximo ano. Está uma situação difícil”, diz Jamir Weber, agricultor.
Jamir tem 700 hectares. Não pode nem se aproximar de 500 deles. Tentamos cruzar a estrada de fora das propriedades. Dentro da área dos brasileiros, uma área que está invadida pelos sem-terra paraguaios e nada plantado.
A gente vê de um lado apenas o mato e do outro um pouco de trigo que ficou no solo depois da última colheita e acabou germinando. Não tem mais nada, mas não avançamos muito. Numa das áreas, são aproximadamente 200 famílias acampadas.
Essa é uma técnica muito usada pelos sem-terra. Eles constroem os barracos bem ao lado da estrada, mas eles acabam não ocupando esses barracos. Alguns ficam abandonados, mas servem para demarcar o território, para marcar a presença dos sem-terra na propriedade.
O galpão de Roberto está cheio de sementes, insumos e máquinas paradas. Agora, ele torce para uma solução rápida do problema.
“Se não for solucionado em 15 dias, praticamente vamos perder o ano. O tempo, nós estamos no limite, já está acabando o tempo. Até agora choveu bem, tudo correu bem. Agora, vamos saber se mais pra frente der uma seca, perdemos o ano”, diz o agricultor Roberto Magagnin.
Os agricultores brasileiros já ganharam na Justiça paraguaia o direito de recuperar as terras, mas ainda aguardam o cumprimento dos mandados de reintegração de posse.