IPCF recua 0,4% e indica alívio nos fertilizantes
Recuo da ureia ajuda a reduzir pressão no IPCF
Foto: Canva
O poder de compra de fertilizantes registrou leve melhora no mês, com o IPCF em 1,55, no mercado brasileiro, segundo dados divulgados pelo IPCF, que é divulgado mensalmente pela Mosaic. A queda de 0,4% foi puxada pelo recuo de commodities e matérias-primas, além da pequena desvalorização do dólar, em um momento decisivo para o planejamento da próxima safra.
O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes voltou a ceder, mas de forma moderada. De acordo com o Índice, o indicador ficou em 1,55 no mês, resultado 0,4% menor que o registrado anteriormente. Na prática, o movimento reflete uma combinação de fatores que aliviaram parte da pressão sobre os custos dos insumos, embora o cenário ainda exija cautela dos produtores.
Entre os principais componentes dessa variação está o comportamento das commodities. Segundo dados divulgados pelo IPCF, que é divulgado mensalmente pela Mosaic, os preços desse grupo recuaram cerca de 6%. A baixa foi influenciada, sobretudo, pelo petróleo, que caiu aproximadamente 18% no período e teve peso relevante sobre o movimento geral do índice.
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No mercado interno, a oferta também ajudou a pressionar as cotações agrícolas. A chegada de uma grande safra de soja e o avanço inicial da colheita do milho safrinha aumentaram a disponibilidade de produtos e contribuíram para a queda dos preços. De acordo com o IPCF, a soja teve retração de 7%, o milho caiu 3% e a cana recuou 6%. O algodão seguiu em direção contrária, com valorização de 4%, o que impediu uma baixa mais intensa no conjunto das commodities.
As matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes também perderam força. Houve queda média de 4% nesse grupo. A ureia teve o recuo mais expressivo, de 15%, enquanto o superfosfato simples caiu 7%. Já o fosfato monoamônico e o cloreto de potássio subiram 1% e 2%, respectivamente, reduzindo o ritmo de queda do indicador.
Apesar do alívio pontual, o ambiente externo segue no radar do setor. O conflito no Oriente Médio permanece sem desfecho e pode trazer novas oscilações aos preços, especialmente em mercados ligados à energia, ao transporte e às matérias-primas. Esse fator mantém a volatilidade como um risco para a formação de custos dos fertilizantes.
Outro ponto de atenção está no calendário de compras. Com a janela de importação de insumos mais curta e parte dos produtores ainda atrasada na aquisição para a próxima safra, eventuais mudanças nos preços podem afetar diretamente o planejamento financeiro e produtivo das propriedades. Nesse contexto, o IPCF funciona como um termômetro para orientar decisões de compra em um mercado ainda sensível a fatores internos e internacionais.