Irrigação sustenta avanço da safra de algodão
O desempenho é atribuído às condições climáticas mais favoráveis
O desempenho é atribuído às condições climáticas mais favoráveis - Foto: Pixabay
A expansão da irrigação está mudando o perfil da cotonicultura baiana e reforçando a expectativa de uma safra recorde. Com quase metade da área cultivada sob sistemas irrigados, o estado projeta colher 925,2 mil toneladas de pluma em 2025/2026, volume cerca de 10% superior ao ciclo anterior.
Enquanto a produção brasileira deve recuar 8,2%, para 3,9 milhões de toneladas, a Bahia amplia a área plantada de 413 mil para 417 mil hectares. A produtividade média estimada pela Abrapa é de 2.214 quilos por hectare, acima da média nacional de 1.954 quilos.
O desempenho é atribuído às condições climáticas mais favoráveis, à recuperação das lavouras de sequeiro e ao avanço da irrigação. Segundo a Agroconsult, a participação das áreas irrigadas passou de cerca de 39% para quase 50%, compensando a redução do cultivo de sequeiro e alterando o calendário agrícola.
A sucessão entre soja e algodão também ganhou espaço no Oeste baiano, com melhor aproveitamento de máquinas, equipes e estrutura. A consultoria revisou sua projeção de produtividade para 2.060 quilos por hectare, ante 1.950 quilos previstos no início do ciclo. O desenvolvimento das plantas, o clima e a adoção de tecnologia sustentam a perspectiva de uma das melhores safras já registradas no estado.
"No ano passado tivemos grandes problemas com seca na Bahia. Neste ciclo, a parte hídrica ocorreu dentro da normalidade e isso muda completamente o potencial das lavouras. Hoje, acreditamos que muitas áreas de sequeiro poderão produzir tanto quanto, ou até melhor que áreas irrigadas", disse o vice-presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Douglas Orth. Para o dirigente, os resultados demonstram que a Bahia consolida um novo ciclo de crescimento. "A Bahia está em crescimento. Acredito que vamos conseguir manter essa média e continuar evoluindo", disse.