Junho deve ter temperaturas acima da média
Cenário pode interferir no desenvolvimento de lavouras
Foto: Pixabay
O mês de junho deve exigir atenção redobrada do produtor rural brasileiro. Segundo previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o período será marcado por chuva acima da média em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sul, mas também por temperaturas elevadas em grande parte do país, principalmente na porção central. O cenário pode interferir no desenvolvimento de lavouras, nas operações de colheita e na oferta de pasto para os rebanhos.
De acordo com o prognóstico, os maiores volumes de chuva devem ocorrer em praticamente todo o Pará, no sudoeste e centro-leste do Amazonas, em todo o Amapá e em áreas do Nordeste, como norte do Maranhão e do Piauí, além de grande parte do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. No Sul, a previsão indica chuva acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul.
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Por outro lado, o INMET prevê volumes abaixo da média no sul de Minas Gerais, em grande parte de São Paulo, em praticamente todo o Paraná e no nordeste de Santa Catarina. No Centro-Oeste, apenas uma estreita área do sudoeste de Mato Grosso do Sul deve registrar chuva abaixo da média, enquanto o restante da região tende a ter volumes próximos à climatologia do mês.
A temperatura é um dos principais pontos de atenção para o campo. No Centro-Oeste, o prognóstico indica médias até 1 °C acima da climatologia em todos os estados. Em áreas como leste de Goiás, noroeste e sudoeste de Mato Grosso e grande parte de Mato Grosso do Sul, os desvios podem chegar a 1,5 °C em relação à média histórica de junho.
No Sudeste, todos os estados devem registrar temperaturas acima da média, com desvios de até 1,5 °C no norte de Minas Gerais e no oeste de São Paulo. No Sul, os termômetros também devem ficar acima do normal, com desvios de até 1,5 °C no norte do Paraná e no extremo oeste de Santa Catarina.
Na prática, o calor aumenta a evapotranspiração, processo em que há perda de água do solo e transpiração das plantas. Quando essa saída de água supera a reposição pelas chuvas, cresce o risco de deficiência hídrica nas lavouras.
No Centro-Oeste, a combinação de baixos acumulados de chuva e temperaturas mais altas tende a reduzir a umidade do solo ao longo do mês. Esse cenário pode resultar em déficit hídrico justamente em um período sensível para o milho segunda safra em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O risco é maior porque a implantação das culturas de segunda safra foi atrasada pelas chuvas mais frequentes em janeiro e fevereiro. Com isso, parte das lavouras deve atravessar junho ainda em período crítico de desenvolvimento.
A pecuária também pode sentir os efeitos do tempo mais seco. Segundo o material do INMET, a redução progressiva da umidade do solo tende a diminuir o vigor das pastagens, afetando o crescimento das forrageiras e a disponibilidade de alimento para os rebanhos.
Na Região Norte, a chuva próxima ou acima da média, associada às temperaturas elevadas, deve manter boa disponibilidade hídrica em áreas do nordeste do Pará, Amapá e sul do Amazonas. A condição tende a beneficiar lavouras de milho segunda safra ainda em enchimento de grãos.
Para áreas em colheita, porém, o excesso de umidade pode trazer problemas. O material aponta maior pressão de doenças fúngicas, aumento da umidade dos grãos, dificuldade no tráfego de máquinas e risco de perdas por acamamento. Já no sudeste do Pará e no Tocantins, a precipitação próxima da média, combinada ao calor, tende a favorecer a colheita do milho segunda safra e a secagem natural dos grãos.
No Nordeste, as chuvas dentro ou acima da média devem favorecer o desenvolvimento do milho segunda safra no noroeste do Maranhão e o avanço da semeadura de feijão e milho terceira safra no SEALBA. A umidade na faixa litorânea também pode beneficiar a fruticultura, reduzindo a demanda por irrigação e os custos operacionais.
No interior da região, especialmente no MATOPIBA, a situação exige mais cautela. A previsão de chuvas próximas à média, associadas às temperaturas mais altas, aumenta a demanda por água das plantas e representa risco adicional para lavouras de milho segunda safra semeadas mais tarde, ainda em enchimento de grãos. Nas pastagens cultivadas, a entrada no período seco pode reduzir o crescimento das forrageiras e antecipar a necessidade de suplementação do rebanho.
No Sudeste, o calor deve favorecer a perda de água do solo e elevar o risco de deficiência hídrica. O impacto deve atingir principalmente a fase final das culturas de segunda safra, com destaque para o milho, que também teve atraso na semeadura em razão das condições de solo.
As culturas de citros, em sua maioria em fase de desenvolvimento e enchimento de frutos, podem registrar redução no crescimento dos frutos com o início do período seco e a elevação das temperaturas. Para o hortifruti, o cenário de temperaturas mais altas pode acelerar o crescimento das plantas.
Na Região Sul, a previsão preocupa áreas de milho no Paraná, principalmente no norte do estado, onde a semeadura foi mais tardia. Nessas lavouras, o período crítico da cultura se concentra entre o fim de maio e junho.
Em outras áreas da região, as condições previstas devem favorecer a semeadura e o desenvolvimento das principais culturas de inverno, como trigo e aveia. No Rio Grande do Sul, a chuva acima do normal, associada a temperaturas elevadas, tende a melhorar a disponibilidade hídrica do solo e favorecer o rápido desenvolvimento das culturas.
O excesso de chuva, no entanto, pode dificultar práticas de manejo em áreas de arroz irrigado, especialmente na metade sul gaúcha, onde a semeadura ocorre predominantemente durante a primavera.