Juros e atividade mantêm cenário de cautela
A perda de ritmo também apareceu nos indicadores de atividade
A perda de ritmo também apareceu nos indicadores de atividade - Foto: Pixabay
O cenário econômico segue marcado por juros elevados, desaceleração da atividade e maior incerteza externa, com reflexos sobre câmbio, inflação e decisões de política monetária. Segundo análise do Rabobank, o conflito entre Estados Unidos e Irã continua no radar, enquanto a volatilidade do petróleo e a trajetória dos juros nas principais economias aumentam a cautela para os próximos meses.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros em 25 pontos-base e indicou uma política monetária mais restritiva para conter efeitos inflacionários de segunda ordem. O Rabobank avalia, porém, que o choque estagflacionário aumenta a possibilidade de uma alta isolada, deixando eventual novo ajuste condicionado à evolução do Oriente Médio e à resistência da economia americana.
No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 13,75%, em decisão unânime. O comunicado trouxe poucas mudanças em relação ao anterior, mas apontou sinais mais claros de moderação da atividade e da inflação. Ainda assim, a inflação permanece acima da meta e o Comitê não sinalizou os próximos passos, reforçando a dependência dos dados.
A perda de ritmo também apareceu nos indicadores de atividade. O IBC-Br caiu 0,20% em julho, enquanto as vendas no varejo restrito recuaram 0,8%, no quarto resultado negativo consecutivo. O varejo ampliado avançou 0,4%.
No mercado de câmbio, o dólar encerrou a semana anterior em R$ 5,1462, com depreciação de 0,49% do real. Para o fim do ano, o Rabobank projeta a moeda americana em R$ 5,35, diante da expectativa de menor diferencial de juros e de um quadro fiscal doméstico considerado frágil em ano eleitoral. A atenção desta semana se volta à ata do Copom, ao Relatório de Política Monetária e ao IPCA-15 de setembro, para o qual a instituição projeta alta de 0,5% no mês e 4,27% em 12 meses.