Kepler Weber demite mais de 50% dos funcionários
Indústria de silos que já teve 640 funcionários, agora opera com apenas 310
O grupo Kepler Weber descartou nesta semana o encerramento das operações da unidade industrial de Campo Grande, mesmo depois das crescentes demissões da líder mundial no fornecimento de sistemas de armazenagem de grãos instalada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O cenário econômico desfavorável forçou muitas demissões na empresa e boatos chegaram a antever que o grupo encerraria as atividades industriais na Capital de Mato Grosso do Sul no próximo ano.
Desde que foi implantada em 2004, a unidade da Kepler em Campo Grande chegou a empregar 640 trabalhadores e, hoje, apenas 310 continuam no quadro de funcionários, segundo informações repassadas ao Correio do Estado pela assessoria de imprensa da empresa.
Apesar da crise do agronegócio, que praticamente inviabilizou as atividades rurais e das empresas ligadas ao campo, o grupo Kepler afirma que considera o cenário uma situação pontual e acredita na recuperação do setor no médio prazo. "Reafirmamos que não temos nenhuma intenção de fechamento da unidade de Campo Grande, pois sabemos que uma vez ocorrendo a retomada do agronegócio, precisaremos e muito desta unidade em pleno funcionamento", informou a empresa por meio da assessoria de imprensa.
No entanto, o grupo ressaltou que a crise que influenciou quedas expressivas nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas, insumos, defensivos e fertilizantes também afetou as atividades da Kepler Weber em Campo Grande, mas também em Panambi, Porto Alegre e Bauru. "Todas as unidades sofreram as consequências do cenário adverso, com diminuição da demanda, o que forçou uma readequação da estrutura", explicou a empresa.
Segundo a diretoria do grupo, a implementação da unidade de Campo Grande foi feita com base numa situação de mercado extremamente favorável, com crescimento expressivo do agronegócio durante vários anos. Porém, logo após a inauguração da unidade do Centro-Oeste, na Capital de MS, em novembro de 2004, o cenário mudou devido a um conjunto de fatores que delinearam a crise do agronegócio e a inviabilidade das operações da empresa.
Entre os pontos que mais influenciaram a retração na empresa, a diretoria da Kepler aponta a seca na região Centro-Sul do País, a queda dos preços das principais commodities agrícolas, a valorização do real frente ao dólar e a, consequente, descapitalização dos produtores.