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Lagarta-do-trigo: quando iniciar o monitoramento na lavoura

Monitoramento precoce reduz perdas no trigo


Foto: Pixabay

O monitoramento da lagarta-do-trigo deve começar ainda no início do perfilhamento das plantas e seguir até o enchimento de grãos para reduzir os riscos de perdas na produtividade da cultura. A praga, causada principalmente pelas espécies Pseudaletia adultera e Pseudaletia sequax, está entre as principais ameaças foliares ao trigo no Sul do Brasil, podendo comprometer a área fotossintética, o enchimento dos grãos e o rendimento das lavouras quando não identificada a tempo.

Segundo as orientações técnicas, o acompanhamento deve ser planejado desde as fases iniciais da cultura, com inspeções periódicas em diferentes pontos da lavoura para identificar ovos, lagartas jovens e médias, além de sinais de raspagens e recortes nas folhas. “O monitoramento da lagarta-do-trigo deve começar no início do perfilhamento, seguir até o enchimento de grãos e ser intensificado em períodos de clima ameno e úmido.”

O manejo fitossanitário busca reduzir o estresse provocado por pragas, doenças e plantas daninhas ao longo do ciclo do trigo. Nesse contexto, a lagarta-do-trigo merece atenção porque ataca a cultura justamente em fases decisivas para a formação da produção, como alongamento dos colmos, emborrachamento e espigamento.

As lagartas apresentam hábito predominantemente noturno, alimentando-se com maior intensidade ao entardecer e durante a noite. Durante o dia, permanecem abrigadas na base das plantas ou entre restos culturais, o que exige inspeções detalhadas para evitar que a infestação passe despercebida. Condições de temperaturas amenas e disponibilidade de gramíneas, como trigo, aveia e azevém, favorecem o desenvolvimento da praga.

Entre os erros mais comuns observados no campo estão o início tardio do monitoramento, a avaliação de poucas plantas e a decisão pelo controle apenas pela presença das lagartas, sem mensurar a intensidade da infestação e dos danos provocados.

As espécies Pseudaletia adultera e Pseudaletia sequax, pertencentes à ordem Lepidoptera e à família Noctuidae, possuem hábito polífago, mas encontram nas gramíneas de inverno um ambiente favorável para seu desenvolvimento, especialmente nas lavouras de trigo.

O ciclo biológico dessas pragas compreende as fases de ovo, lagarta, pupa e mariposa adulta. Em condições típicas do outono e inverno, o desenvolvimento ocorre de forma relativamente rápida, permitindo mais de uma geração ao longo da safra.

Os ovos costumam ser depositados em massas sobre folhas ou em locais protegidos, dificultando sua visualização. As lagartas jovens provocam raspagens superficiais nas folhas, enquanto as fases intermediárias e adultas passam a consumir maior volume de tecido vegetal, formando perfurações e recortes irregulares que reduzem significativamente a área foliar da planta.

As pupas permanecem em solo superficial ou entre restos culturais, enquanto as mariposas adultas são responsáveis pela postura de novos ovos e pela disseminação da praga nas áreas cultivadas.

Do ponto de vista do manejo integrado, o período mais indicado para adoção de medidas de controle ocorre quando predominam lagartas jovens e médias, fase em que a população ainda pode ser manejada com maior eficiência e menor custo.

Os prejuízos econômicos decorrem principalmente da redução da área foliar ativa, comprometendo a fotossíntese e o acúmulo de fotoassimilados destinados às espigas e aos grãos. As perdas tendem a ser maiores quando a desfolha ocorre durante o alongamento dos colmos, emborrachamento, espigamento e início do enchimento dos grãos.

Embora estudos indiquem que infestações elevadas possam provocar reduções expressivas de produtividade, os impactos variam conforme a intensidade da infestação, o estádio da cultura, o potencial produtivo, as condições climáticas e a fertilidade da área.

Por isso, as recomendações técnicas indicam que o monitoramento seja incorporado ao programa de fitossanidade desde o perfilhamento inicial até, pelo menos, o início do enchimento de grãos.

Na fase entre emergência e início do perfilhamento, a lagarta-do-trigo já deve ser incluída nas avaliações visuais, principalmente em áreas com histórico de ocorrência da praga ou presença de gramíneas espontâneas e restos culturais.

Entre o perfilhamento pleno e o alongamento dos colmos, o monitoramento passa a ser intensificado, já que a cultura oferece maior disponibilidade de alimento e favorece o crescimento populacional das lagartas.

Durante o emborrachamento, espigamento e florescimento, o acompanhamento ganha ainda mais importância, uma vez que as folhas superiores e a folha bandeira desempenham papel decisivo na formação da produção.

No início do enchimento de grãos, as inspeções permanecem necessárias, embora a relação entre custo e benefício das intervenções tenda a diminuir à medida que a cultura se aproxima da maturidade fisiológica.

A frequência das visitas deve considerar o histórico da área, o estádio da cultura e as condições climáticas. Em situações de maior risco, recomenda-se reduzir o intervalo entre as avaliações para acompanhar eventuais aumentos da população.

As inspeções devem ser realizadas em talhões homogêneos, percorrendo diferentes pontos da lavoura em trajetos sistemáticos para garantir uma amostragem representativa da área.

Em cada ponto de avaliação, o produtor deve utilizar sempre o mesmo critério de amostragem, observando um número fixo de plantas para permitir a comparação dos resultados ao longo da safra.

Além da contagem das lagartas, o monitoramento deve identificar os sintomas de dano causados pela alimentação dos insetos.

Nas fases iniciais predominam raspagens superficiais que deixam áreas translúcidas nas folhas. Com o crescimento das lagartas, surgem perfurações e recortes irregulares, acompanhados, muitas vezes, pela presença de fezes na base das plantas.

Quando a infestação avança, ocorre redução significativa da área foliar, deixando partes da lavoura com aspecto de desfolha e coloração mais clara devido à perda de tecido verde.

Durante o dia, as lagartas costumam permanecer escondidas junto ao colo das plantas ou sob restos culturais, exigindo inspeções detalhadas para sua localização.

O monitoramento tem como principal objetivo identificar precocemente a presença da praga e acompanhar a evolução da infestação ao longo do ciclo da cultura.

A decisão sobre a necessidade de controle deve considerar conjuntamente o estádio do trigo, o número de lagartas encontradas e a intensidade da desfolha observada.

Como esses parâmetros podem variar conforme a região, a cultivar e as condições da lavoura, a recomendação é que o produtor utilize o monitoramento como ferramenta de diagnóstico e tome decisões técnicas com orientação profissional.

O acompanhamento sistemático pode ser organizado em etapas que incluem o planejamento das visitas, definição dos talhões, escolha dos pontos de amostragem, inspeção das plantas, registro das informações e comparação dos resultados obtidos em diferentes datas.

A integração do monitoramento da lagarta-do-trigo com outras práticas de manejo também é considerada fundamental para reduzir a pressão da praga.

Entre as medidas recomendadas estão o manejo de restos culturais e plantas daninhas, a rotação de culturas, a conservação de inimigos naturais e o acompanhamento conjunto de doenças e outras pragas presentes na lavoura.

O uso de inseticidas deve respeitar a legislação vigente, seguindo rigorosamente as recomendações de rótulo, bula e receituário agronômico, além da utilização correta de equipamentos de proteção individual e do descarte adequado das embalagens.

As orientações técnicas reforçam que o monitoramento deve começar no perfilhamento, ser intensificado em condições climáticas favoráveis à praga, utilizar critérios padronizados de amostragem e integrar o manejo fitossanitário da propriedade.

Os parâmetros de amostragem, níveis de ação e estratégias de controle podem variar conforme a realidade de cada lavoura, razão pela qual o acompanhamento de materiais técnicos atualizados e a orientação de engenheiro agrônomo são considerados essenciais para definir o manejo mais adequado.

O conteúdo possui caráter informativo e não substitui a avaliação técnica realizada por profissional habilitado em condições reais de campo.

As referências utilizadas para elaboração das orientações incluem publicações da Embrapa Trigo, além de obras técnicas como Entomologia Agrícola, de D. Gallo e colaboradores, e publicações de C. B. Hoffmann-Campo, B. S. Corrêa-Ferreira e F. Moscardi sobre pragas em grandes culturas.

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