CI

Lavoura de fumo está cada vez menor no Brasil

A variação ainda não compromete a oferta, mas já serve de alerta quanto a possíveis problemas de abastecimento a longo prazo


A ratificação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco em 2005, o aumento nos custos de produção e o valor pago pelas indústrias podem ter relação direta com a redução das lavouras de fumo nos últimos anos. Um levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) mostra que desde 2004 até o ano passado a área cultivada no Sul do Brasil ficou 22,3% menor.


A variação ainda não compromete a oferta, mas já serve de alerta quanto a possíveis problemas de abastecimento a longo prazo. Se a tendência for mantida, a possibilidade é de que a área ocupada com a cultura volte aos patamares registrados há quatro anos (veja quadro). Na época o Brasil teve recorde de lavouras devido à redução na produtividade ocorrida tanto no Zimbábue quanto nos Estados Unidos. Com a crise internacional, as indústrias estimularam os agricultores brasileiros a plantar mais. Depois disso, ocorreram reduções de área e muitas famílias deixaram a fumicultura.

De acordo com os dados da Afubra, em 2004 foram ocupados 439.220 hectares. No ano seguinte, foram 417.420 e na safra 2007/2008 eram 341.230 hectares. Segundo o presidente da entidade, Benício Werner, muitos produtores ampliaram a área anos atrás esperando incrementar os ganhos. Além disso, novas famílias também aderiram à fumicultura. “O tempo passou e o mercado foi se ajustando. Outra situação que se verificou é que os novos produtores aos poucos foram abandonando a atividade”, avalia.


Ao mesmo tempo em que ocorriam estes ajustes, o Brasil aderiu à Convenção-Quadro, o que pode ter afetado ainda mais o setor. Com o acordo passaram a ser desenvolvidas iniciativas em torno da diversificação e as famílias começaram a investir em outras culturas de forma paralela. “Tudo isso pode ter influenciado na redução da área. Ainda temos que levar em consideração o fator econômico, que também é decisivo neste momento”, ponderou.

Cenário Mundial

A diminuição de território no Brasil, no entanto, não vem se repetindo em outros países. Segundo dados da Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA), a Tanzânia e a Uganda aumentaram em média 4 mil hectares das suas lavouras na safra passada. Nos Estados Unidos também houve incremento. Em 2006 o país plantou 135.150 hectares, enquanto em 2007 foram 140.943. Na Zambia, outro país que tem tradição fumageira, as plantações saltaram de 19 para 32 mil hectares.


Outra situação que vem sendo observada envolve o volume produzido em nível mundial. De acordo com a pesquisadora inglesa especializada em fumo, Zora Milenkovic, existe a tendência de queda no volume produzido entre 2006 e 2011. Ela fez um estudo que apontou para redução de 11% no volume plantado na América do Norte e de 0,9% na América Latina. Os dados apresentados na última reunião da ITGA, na República Dominicana, indicam que somente devem ocorrer aumentos no volume produzido na África do Sul e na Ásia, em 8% e 11%, respectivamente. Todas estas situações, no entanto, não são suficientes para responder a uma questão levantada pelo presidente da Afubra: a oferta menor pode ajudar a aumentar a renda do produtor?

O CENÁRIO
Safra Área plantada (hectares)
2001/2002 304.510
2002/2003 353.810
2003/2004 411.290
2004/2005 439.220
2005/2006 417.420
2006/2007 360.910
2007/2008 341.230

Saiba mais

A produtividade da lavoura de fumo deve ficar menor. Estimativas da Afubra mostram que a colheita deve fechar com 1.901 quilos por hectare nesta safra, equanto na passada foi de 2.102 quilos por hectare.
Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7