Lavouras de feijão mantêm potencial produtivo
Clima influencia produtividade do feijão
Foto: Canva
A colheita do feijão da primeira safra está concluída na maior parte das regiões produtoras do Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (2) pela Emater/RS-Ascar. No momento, os trabalhos concentram-se em áreas de maior altitude, especialmente na região Nordeste do estado, onde o plantio ocorreu mais tarde e se aproxima do calendário da segunda safra.
De acordo com o levantamento, nessas áreas as condições meteorológicas ao longo do ciclo foram marcadas por períodos de restrição hídrica e temperaturas elevadas, principalmente durante a fase reprodutiva da cultura. Esse cenário comprometeu a formação de estruturas produtivas e reduziu o potencial de rendimento das lavouras. A estimativa da Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares cultivados com feijão na primeira safra, com produtividade média de 1.781 quilos por hectare.
Na região administrativa de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, a colheita atinge cerca de 50% das áreas cultivadas. Conforme o informativo, o rendimento dos grãos está abaixo da expectativa inicial, com produtividade média em torno de 1.200 quilos por hectare, frente aos 2.400 quilos por hectare projetados no início do ciclo.
Já o feijão da segunda safra apresenta desenvolvimento predominante em estádios reprodutivos, e parte das áreas começa a entrar em colheita. Segundo a Emater/RS-Ascar, as condições meteorológicas do período, com maior frequência de chuvas e temperaturas elevadas, favoreceram a retomada do crescimento vegetativo e o avanço dos processos reprodutivos da cultura.
Ainda de acordo com o informativo, “as produtividades observadas nas primeiras áreas colhidas confirmam, até o momento, os níveis esperados, indicando desempenho adequado da cultura nessa etapa do ciclo”. O relatório também aponta que as lavouras apresentam estado fitossanitário e potencial produtivo satisfatórios, embora a elevação da umidade relativa do ar aumente a pressão de doenças fúngicas em parte dos cultivos.
A projeção da Emater/RS-Ascar indica área de 7.774 hectares destinados à segunda safra, com produtividade média estimada em 1.504 quilos por hectare.
Na região administrativa de Ijuí, mais de 70% das lavouras encontram-se em estádio reprodutivo. Nas áreas em formação de grãos, o levantamento aponta elevado número de legumes e adequada formação de grãos, indicando potencial produtivo favorável. O desenvolvimento das plantas é considerado satisfatório, com padrão vegetativo e reprodutivo mantido.
Na região de Santa Maria, cerca de 20% da área já foi colhida. As produtividades registradas nas primeiras áreas colhidas confirmam o potencial esperado, situando-se próximas de 1.300 quilos por hectare. As lavouras restantes apresentam boas condições fitossanitárias e elevada carga de vagens, com resposta às chuvas registradas durante as fases de florescimento e enchimento de grãos.
Na região administrativa de Soledade, 55% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo, 43% em florescimento e 2% em enchimento de grãos. As condições hídricas registradas no período favoreceram o desenvolvimento da cultura, refletindo no incremento da área foliar e no crescimento das plantas. As adubações nitrogenadas em cobertura foram concluídas, e o aumento da umidade, associado às temperaturas elevadas, tem intensificado a pressão de doenças fúngicas, o que exige manejo para manutenção do potencial produtivo.