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Lavouras mato-grossenses com novo perfil

Variedades precoces dão novo tom à safra estadual. Ciclo curto promove rotação de culturas, aproveitamento de adubos e fuga da ferrugem asiática


A ferrugem asiática e a necessidade de plantar outras culturas em uma mesma safra, aproveitando a adubação do solo e as chuvas do verão, mudaram o perfil das lavouras de soja em Mato Grosso. As variedades precoces, que tradicionalmente representavam 20% da área total, foram cultivadas na safra 08/09 em cerca de 30% das lavouras. Em algumas regiões produtoras do Estado, contudo, a variedade precoce chegou a ocupar até 80% da área destinada à cultura. E, para este ano, a previsão é de que este percentual salte para 35% ou, no mínimo, seja mantido.

O diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja) e engenheiro agrônomo, Luiz Nery Ribas, diz que a participação da soja precoce nas lavouras mato-grossenses vem aumentando ano a ano em função de vantagens como a “menor suscetibilidade de ocorrência da ferrugem asiática, o encurtamento da janela de plantio e o cultivo de milho e algodão em um período melhor do ano”.

A soja precoce vem sendo cada vez mais procurada por produtores das regiões do médio norte, norte e noroeste de Mato Grosso, onde o plantio tradicionalmente começa mais cedo.

De acordo com levantamento da Aprosoja/MT, na última safra a variedade precoce ocupou uma área de 1,71 milhão de hectares, 30% do total cultivado pelos agricultores mato-grossenses, 5,71 milhões de hectares. A produção chegou a 5,31 milhões de toneladas.

Para este ano a participação da soja precoce será mantida ou até mesmo ampliada em 5%, com as primeiras lavouras recebendo a semeadura a partir do próximo dia 16, um dia após o fim do período de proibição de cultivo comercial da oleaginosa por 90 dias – Vazio Sanitário -, cujo objetivo é reduzir no ambiente o volume de fungos que causam a ferrugem asiática, o Phakopsora pachyrhizi.

“Plantando mais cedo, o produtor tem uma incidência de ferrugem bem menor na lavoura. Colhendo mais cedo, ele ganha mais tempo para o plantio da safra de algodão e milho com as últimas chuvas do verão, podendo ainda, plantar safrinha de sorgo, girassol e milheto, por exemplo. O resultado desta rotação é um melhor índice de produtividade e menor custo com aquisição de agroquímicos para combater pragas e doenças”, explica o agrônomo.

Segundo ele, a variedade precoce propicia o melhor manejo da ferrugem asiática e a produtividade “é tão boa quanto à da soja de ciclo normal, plantada a partir de outubro”.

Nery Ribas diz que a recomendação da pesquisa é a concentração de plantio em uma janela menor. “Com este encurtamento, o produtor consegue fazer um bom monitoramento da lavoura, melhor manejo e controlar as doenças, principalmente a ferrrugem. Os plantios tardios são mais vulneráveis às doenças e pragas”.

PRECOCE - O gerente de Desenvolvimento de Mercado da TMG, Sérgio Suzuki, também acredita que a soja precoce irá predominar na próxima safra em Mato Grosso. Ele explica que o cultivo deste tipo de oleaginosa propicia ao sojicultor fazer duas safras em um único ano agrícola, sendo uma do grão e outra de algodão ou milho. E, entre os resultados, está a possibilidade de incremento na renda, já que desse modo há um aproveitamento melhor da terra, máquinas e mão-de-obra.

Suzuki lembra que nas últimas safras o cultivo de variedades de ciclo mais rápido vem crescendo no Estado. "Na soja precoce o ciclo entre o plantio e a colheita gira em torno de 100 dias, enquanto as sementes de ciclo médio variam entre 125 e 135 dias e, as tardias, entre 135 e 140 dias".

Para a safra 09/10, Suzuki estima que a soja precoce será cultivada em um terço da área destinada à cultura no Estado, cerca de 35%. O aumento é significativo, já que há cinco anos a soja precoce não chegava a responder por 10% da área cultivada com o grão. Suzuki aponta que entre as vantagens está o fato de que, diminuindo o ciclo do grão, o produtor reduz o custo fixo e melhora a margem final da atividade, já que terá o incremento com a receita de uma segunda cultura no final do ano.

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