Leite barato leva vacas holandesas ao frigorífico
Produtores líderes em tecnologia vendem animais de raça para reduzir produção e amenizar crise. Reflexo da medida no mercado é pequeno
Em Castro, onde boa parte dos 215 pecuaristas ligados à cooperativa Castrolanda alcança alta produtividade, a produção de leite segue caminho inverso ao habitual. Em vez de apostarem na capacidade produtiva do animal, os donos dos rebanhos leiteiros estão vendendo matrizes ou diminuindo a alimentação dos bichos para barrar a produção.
Isso acontece 50 dias depois de o setor declarar falta de vacas para o Agroleite, feira anual da Castrolanda. Da previsão de 750, apenas 680 animais foram expostos em agosto, e só 10% efetivamente leiloados.
O produtor Sandro Hey conta que já vendeu 20 vacas leiteiras para a indústria da carne. “Tem muito produtor vendendo os animais para o abate – aqueles que produzem menos estão indo para o frigorífico”, explica.
O pecuarista Hans Jan Groenwold, que acumula prêmios na Agroleite de maior produtividade por vaca leiteira, segue o mesmo caminho. Na última quarta-feira, ele comercializou cinco matrizes. A medida, frisa, reduz a produção, mas não traz lucro ao produtor. “Você não encontra preço bom no mercado de abate”, diz. O reflexo da redução da produção na região nos preços do leite também é considerado pequeno. Uma vaca leiteira de R$ 5 mil alcança R$ 3,5 mil nos frigoríficos.
Para o produtor Lucas Rabbers, a venda de animais está descartada até o momento, mas ele admite que poderá diminuir a alimentação do rebanho para reduzir a produção de leite. Sua propriedade gera em torno de 14 mil litros do alimento por dia.
Sandro Hey acredita que essa é a tendência. Ele próprio já está controlando a alimentação do rebanho. De acordo com Hans Groenwold, a diminuição da ração pode comprometer a saúde do animal e, por enquanto, ele não pretende tomar essa medida.