Levantamento apura custos de produção de cebola
Maior fatia está na condução da lavoura, com custos de fertilizantes e defensivos
Foto: Eliza Maliszewski
O município catarinense de Ituporanga é o maior produtor brasileiro de cebola. Na safra 2020/21 a produtividade foi menor devido a estiagem e granizo, ficando em uma média de 25 toneladas por hectare. Em safras de condições climáticas normais, a média é de 30t/ha, podendo chegar a 50t/ha nos ciclos agrícolas mais produtivos.
Agora um levantamento feito pelo Projeto Campo Futuro vai apurar os custos de produção da cebola, auxiliando os produtores do município nessa contabilização. A iniciativa é desenvolvida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Inteligência de Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA), com a parceria do Sistema FAESC/SENAR-SC e Sindicato Rural da região.
A análise de custos foi feita com base em uma propriedade modal, aquela que melhor representa as propriedades da região. O modelo adotado foi uma propriedade de 20 hectares, dos quais seis são de lavoura de cebola, com produção de 30 ton/ha.
O ciclo da cebola gira em torno de seis meses e, após colhida, a produção é armazenada em galpões e comercializada de acordo com a demanda e preço de mercado. “Em razão deste processo, foi necessário considerar uma perda de 20% sob a produção, resultando na comercialização de 24 ton/ha. O valor pago foi definido de acordo com a classificação da produção, tendo preço médio de R$ 1,39/kg”, destaca a assessora técnica de frutas, hortaliças e flores da CNA, Letícia Fonseca.
Segundo os produtores, as lavouras da região são, em sua maioria, provenientes da agricultura familiar, com maior atuação dos familiares, sendo contratada mão de obra para as atividades de plantio, transplantio e colheita. O semeio é realizado primeiramente em canteiros e, após o desenvolvimento inicial, é realizado o transplantio na lavoura definitiva.
A metodologia adotada traz informações sobre: os Custos Operacionais Efetivos (COE), que inclui todos os itens consideradas como variáveis ou gastos diretos representados pelo dispêndio em dinheiro, tais como insumos, mão de obra e serviços terceirizados; o Custo Operacional Total (COT), que é formado pela soma do COE, depreciação dos equipamentos, maquinário e outros bens e o pró-labore, que corresponde à remuneração dos proprietários; e o Custo Total (CT), que representa a soma do COT com o custo oportunidade de uso do capital e da terra.
De acordo com Letícia, no cenário proposto, é possível dizer que a colheita e pós-colheita representam 20% do COE. Já, a condução, representa 56% do COE, dos quais 16% são referentes à aquisição de fertilizantes e 19% de defensivos.
A produção de cebola, assim como outras atividades agropecuárias, apresenta alto estoque de capital imobilizado. “Entre galpão, tratores, máquina classificadora e outros, para se manter na atividade em longo prazo, o empreendimento deve apresentar receita superior ao CT. A produtividade, classificação e preços pagos são fatores determinantes nesta análise”, aponta Letícia.
Os resultados do relatório saem a partir do próximo mês e devem ajudar a aprimorar o planejamento de políticas públicas focadas na realidade local.