Limoeiro do Norte/CE também investe em agricultura irrigada
Em uma das terras mais férteis do País, a experiência da irrigação tem dado bons resultados
Limoeiro do Norte (CE) - A experiência bem-sucedida do polo Petrolina-Juazeiro, com base na agricultura irrigada, é exemplo para vários outros municípios nordestinos que também apostam nesta atividade como oportunidade de desenvolvimento. Com parte de seu território localizado na Chapada do Apodi, considerada uma das terras mais férteis do Brasil, o município cearense de Limoeiro do Norte também enveredou por este caminho e, mesmo que em proporções menores às do Submédio do Rio São Francisco, tem ganho destaque na produção de frutas para os mercados interno e externo.
Da chapada antes seca, sobem, a 110 metros de altitude, as águas do Rio Jaguaribe e do açude Castanhão, que vão irrigar as mais diferentes culturas cultivadas no chamado perímetro Jaguaribe-Apodi. O canal, que leva a fonte do verde, percorre 40 quilômetros até chegar às fazendas, que, produzindo, ocupam hoje 2,8 mil hectares, chegando a 5 mil hectares se somadas à área das empresas agregadas.
O perímetro é distribuído entre 324 pequenos produtores, que possuem lotes que variam de quatro a 16 hectares, e compõem a Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi (Fapija). Antes focado em grãos, o projeto começou a experimentar uma nova fase, mais próspera, após a inclusão da fruticultura. Hoje, 148 produtores trabalham com frutas e o restante na produção de grãos. Entre as diferentes atividades agropecuárias da região, o destaque se dá ao cultivo de milho e banana. O perímetro emprega, atualmente, cerca de seis mil pessoas, diretamente, e o número sobe para 16 mil, se contabilizados os indiretos.
Os resultados positivos na produtividade se dão tanto pela elevada qualidade do solo, como por fatores como a existência de sol o ano inteiro, a irrigação e o uso de tecnologia adequada. O tipo de irrigação realizada por lá utiliza pivôs centrais, que irrigam, cada máquina, cerca de 100 hectares. "O projeto Jaguaribe-Apodi é de 1989. Antes, aqui era região em seca, não tinha nada. De lá para cá, só cresceu. É um antes e outro depois. Na serra, a sobrevivência era cortando lenha e carvão. Hoje, é um exemplo de sucesso", defende o presidente da Fapija, Raimundo César dos Santos. Raimundo, conhecido com Alemão na região (apesar de não fugir ao fenótipo cearense), lembra do passado não muito distante. "Eu conheci as duas realidades. Meu pai sobreviveu com plantio de sequeiro. Quando não chovia, perdia tudo. E hoje vejo a chapada com eletrificação e água. É o começo de um novo sertão", acredita.
Melhoria em indicadores
A seca ainda assola a região e a água não chega a todos - o "carro-pipa" continua a visitar localidades ao redor e são comuns os casos de sertanejos que "roubam" a água de canal de irrigação para seu sustento -, mas são evidentes benefícios trazidos ao município e aos seus vizinhos pelo perímetro irrigado. Limoeiro do Norte, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), teve a maior variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) entre todos os municípios cearenses no período entre 2002 e 2007. Em cinco anos, a economia do município cresceu 183,6%, e, naquele ano, colocava-se na 13ª posição no ranking estadual.
O PIB per capita, ou seja, todas as riquezas produzidas no município divididas pelo número de habitantes, também teve forte avanço no período, passando de R$ 2.794 para R$ 7.545, o oitavo maior do Estado, e terceiro mais elevado se retirados aqueles pertencentes à Região Metropolitana de Fortaleza.
Nova etapa
O perímetro Jaguaribe-Apodi já se encontra com sua capacidade total em atividade, sem muitas possibilidades de incremento significativo na produção nem na geração de novos empregos. Entretanto, avança um projeto para permitir a expansão dessa área. De acordo com o presidente da Fapija, uma segunda etapa do perímetro trariam novos três mil hectares irrigados para a agricultura da região. Seriam mil deles divididos entre pequenos produtores e, o restante, ficaria para grandes empresas.
Segundo Alemão, no momento, está sendo feita a regularização fundiária pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). A partir daí, a área seguiria para licitação. "Tem muita gente interessada nos novos lotes. A procura é diária. É muito importante que o governo regularize isso. Vai mais que dobrar a geração de riquezas e empregos", defende o agricultor. A nova área, onde se intensificaria a produção de milho, banana e semente de soja, incrementaria os empregos no perímetro em quatro mil novos postos diretos, totalizando 10 mil no perímetro.