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Macrophomina: quando o controle ainda compensa

Podridão de Macrophomina no milho exige decisão técnica


Foto: Canva

A podridão de Macrophomina, causada principalmente pelo fungo Macrophomina phaseolina, tem sido observada com maior frequência em lavouras de milho, especialmente em regiões quentes e sujeitas a veranicos. Entre junho e setembro, período comum de colheita de safras de verão tardias e do milho safrinha, produtores relatam aumento de plantas acamadas, colmos quebrados e espigas com enchimento irregular. A principal dúvida no campo é se ainda vale a pena investir em medidas de controle nessa fase do ciclo.

O manejo da doença, segundo os critérios técnicos apresentados no texto, deve priorizar a prevenção. “A doença é favorecida por solo quente e seco, alta densidade de plantas e estresse nutricional”, destaca o material. A orientação é concentrar esforços em híbridos menos suscetíveis, equilíbrio da fertilidade, manejo de irrigação quando disponível, redução de estresses e rotação de culturas, já que intervenções químicas em estádios avançados raramente apresentam retorno econômico.

A doença preocupa porque afeta diretamente a estrutura da planta. O fungo provoca podridão de colmo e, em alguns casos, de raiz, resultando em acamamento, quebra de plantas e falhas no enchimento de grãos. O problema tende a se intensificar em sistemas com altas temperaturas, déficit hídrico no final do ciclo e sucessão de culturas hospedeiras, como soja e outras leguminosas.

O texto alerta que um dos erros mais comuns é tratar a doença apenas como um problema pontual da safra. “A podridão de Macrophomina é tipicamente uma doença de manejo sistêmico, cujo controle depende da redução de estresses na planta e da diminuição gradual do inóculo no solo ao longo de safras sucessivas”, afirma o conteúdo técnico.

O ciclo da doença ajuda a explicar a dificuldade de controle. O fungo sobrevive no solo e em restos culturais na forma de microescleródios, infecta raízes e a base do colmo em condições de calor e baixa umidade, coloniza os tecidos internos e produz novos microescleródios após a morte da planta. “Esse ciclo explica por que o controle químico direto, principalmente em estádios avançados, tem eficácia limitada”, ressalta o texto.

Os impactos aparecem tanto na produtividade quanto na qualidade dos grãos. A doença reduz o peso de mil grãos, aumenta perdas na colheita devido ao acamamento e provoca maior variação de umidade entre plantas, dificultando a padronização dos lotes destinados ao armazenamento.

Para decidir se vale a pena intervir, o material diferencia a lavoura em andamento do planejamento das próximas safras. Em áreas ainda em estádios reprodutivos iniciais, com previsão de veranico e histórico de alta incidência, pode haver espaço para medidas adicionais de manejo. Já em lavouras próximas da maturação fisiológica, a maior parte do dano costuma estar consolidada.

O texto também destaca que áreas com histórico recorrente da doença justificam maior investimento em rotação de culturas, escolha de híbridos com melhor qualidade de colmo e ajuste da densidade de semeadura. Em propriedades onde o problema aparece apenas em anos de estresse extremo, o foco pode ser a melhoria da retenção de água no solo e o manejo da fertilidade.

Entre as estratégias preventivas, o material cita plantio direto bem conduzido, manutenção de palhada, estruturas de conservação do solo, manejo adequado da irrigação e correção de desequilíbrios nutricionais, especialmente relacionados ao potássio, enxofre e micronutrientes ligados à integridade do colmo.

Sobre fungicidas, a conclusão é direta. “No caso específico de Macrophomina phaseolina, o controle químico via fungicidas de parte aérea geralmente apresenta resultados inconsistentes e baixo retorno econômico, principalmente quando as aplicações são realizadas tardiamente”, informa o texto, explicando que o patógeno se localiza principalmente no interior do colmo e das raízes.

A doença deve ser analisada em conjunto com outros problemas fitossanitários do milho. Pragas de solo, broqueadoras e outras podridões de colmo podem favorecer a entrada do fungo, tornando o manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas uma ferramenta importante para reduzir a pressão do patógeno no sistema produtivo.

O conteúdo reforça que qualquer intervenção fitossanitária deve seguir rigorosamente rótulo, bula e receituário agronômico. “Como a resposta da podridão de Macrophomina varia de acordo com clima, solo, híbridos e sistema de produção, a interpretação dos sintomas e a decisão sobre eventuais intervenções devem sempre ser ajustadas à realidade de cada lavoura”, afirma o texto.

Na prática, a orientação é avaliar o estádio do milho, a intensidade dos sintomas, o histórico da área e o risco de acamamento antes de decidir por qualquer ação. Em muitos casos, antecipar a colheita para reduzir perdas pode ser mais eficiente do que tentar um controle curativo.

O material conclui que a podridão de Macrophomina deve ser encarada como um problema de manejo de médio e longo prazo. O foco principal deve estar na prevenção, na redução do estresse das plantas e no planejamento do sistema de produção para diminuir gradualmente o inóculo presente no solo.

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