Manejo define equilíbrio biológico do solo
A fertilização mineral isolada tem efeito neutro sobre a abundância total
A fertilização mineral isolada tem efeito neutro sobre a abundância total - Foto: Divulgação
As práticas agrícolas alteram a diversidade, a estrutura e o equilíbrio biológico do solo, com efeitos sobre a ciclagem de nutrientes e o controle natural de pragas. Segundo Elisa Uemura, doutora em Microbiologia, os dados têm como base a meta-análise global de Puissant et al. (2021), publicada na Soil Biology and Biochemistry, que reuniu mais de 4.800 tamanhos de efeito em 103 estudos.
Os nematoides são indicadores centrais desse processo por estarem presentes em diferentes ambientes e cumprirem funções importantes na teia alimentar. Nos sistemas convencionais, os nematicidas reduzem em até 70,2% os fitófagos, mas também diminuem a abundância total em 32,1% e a complexidade da teia em 22,6%. O preparo convencional reduz em 15,1% o índice de maturidade e em 26,2% o índice de estrutura, além de afetar onívoros e predadores.
A fertilização mineral isolada tem efeito neutro sobre a abundância total, mas reduz em 7,7% o índice de maturidade. Já a rotação de culturas por mais de dois anos corta em 47,2% os nematoides fitófagos e eleva em 20,3% esse indicador. Na fertilização orgânica, a abundância total cresce 69,8%, com avanço de 113% entre bacteriófagos e de 141% entre fungívoros.
As culturas de cobertura elevam a abundância geral em 45,3% e os bacteriófagos em 101%, embora aumentem os fitófagos em 79,6%, o que exige atenção na escolha das espécies. Em sistemas integrados, o plantio direto amplia em 96% a abundância total e em 237,2% os onívoros e predadores. A agricultura orgânica aumenta em 33% a densidade geral sem expandir as populações fitófagas.
Os resultados mostram que a recuperação biológica depende do tempo de adoção e do teor de matéria orgânica, reforçando que a saúde do solo responde ao conjunto das práticas, e não a intervenções isoladas.