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Manejo do pulgão-do-milho começa antes da pulverização

Clima seco e milho tiguera elevam os riscos nas lavouras


Foto: Divulgação

Pequeno no tamanho, o pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis) exige atenção desde os primeiros estádios da lavoura. Em sistemas que mantêm milho de verão e safrinha, a permanência de plantas hospedeiras e a ocorrência de períodos quentes e secos criam condições para que a praga atravesse diferentes janelas de cultivo e volte a colonizar áreas recém-implantadas.

O risco não se limita à retirada de seiva da planta. Em ataques mais intensos, o inseto pode provocar amarelecimento, redução da área foliar, encarquilhamento e secamento das folhas. As plantas jovens, até os estádios V4 e V5, aparecem entre as mais sensíveis.

Há ainda um segundo ponto de preocupação: a transmissão de viroses. O pulgão também produz honeydew, uma substância açucarada que favorece o desenvolvimento de fumagina sobre as plantas. Essa camada pode reduzir a capacidade de fotossíntese. Quando a infestação ocorre junto com falta de água ou deficiência nutricional, as perdas de produtividade podem se tornar significativas. Não há, porém, uma estimativa numérica dessas perdas no conteúdo analisado.

A velocidade com que as colônias se formam ajuda a explicar por que o acompanhamento precisa começar cedo. O pulgão tem ciclo rápido e, em muitas condições brasileiras, reproduz-se predominantemente sem acasalamento, processo conhecido como partenogênese. Isso favorece aumentos populacionais em poucos dias.

O deslocamento também ocorre entre áreas. Indivíduos alados podem ser carregados pelo vento e chegar a lavouras recém-emergidas. Milho tiguera, milheto e outras gramíneas presentes nas proximidades fornecem alimento e abrigo, mantendo a população ativa entre um cultivo e outro.

O milho que nasce espontaneamente depois da colheita pode funcionar como ponte verde para a praga. A recomendação é eliminar essas plantas em áreas de pousio e após cultivos como soja e algodão, além de reduzir gramíneas hospedeiras nas bordaduras e nas áreas vizinhas. A dessecação antes do plantio também deve buscar eliminar essas fontes antes da emergência do novo milho.

Dentro da lavoura, o monitoramento ganha peso principalmente entre a emergência e V6. Áreas com histórico de infestação, presença elevada de milho tiguera nas bordas ou submetidas a períodos de veranico devem receber atenção redobrada.

A presença do inseto, sozinha, não determina uma pulverização. A decisão deve levar em conta a quantidade de pulgões, a proporção de plantas atacadas, a fase de desenvolvimento do milho, o clima e eventuais condições de estresse. Há outro indicador que não deve passar despercebido: os inimigos naturais.

Joaninhas, crisopídeos, moscas-das-flores e parasitoides estão entre os organismos capazes de atuar sobre as populações da praga. Fungos entomopatogênicos também podem contribuir em condições de maior umidade. A presença desses agentes deve ser observada durante as avaliações de campo antes de uma decisão pelo controle químico.

Esse cuidado também interfere na escolha dos inseticidas. Aplicações desnecessárias de produtos de amplo espectro podem reduzir a população de organismos benéficos. Quando o controle químico for necessário, a orientação é buscar estratégias que diminuam esse impacto e alternar mecanismos de ação para reduzir o risco de seleção de pulgões resistentes. O tratamento de sementes funciona como uma proteção inicial. Inseticidas sistêmicos utilizados nessa etapa podem proteger as plantas nas primeiras semanas após a emergência e reduzir a necessidade de aplicações foliares muito precoces.

Essa proteção, entretanto, tem prazo limitado. O período de ação varia conforme o ingrediente ativo, a dose, o híbrido e as condições de solo e clima. A lavoura precisa continuar sendo acompanhada porque a infestação pode aumentar depois que esse efeito diminui.

A escolha do híbrido também faz parte dessa estratégia. Não há híbridos completamente imunes ao pulgão, mas materiais mais tolerantes a diferentes tipos de estresse podem apresentar melhor comportamento sob pressão da praga. Boa sanidade foliar e menor suscetibilidade a viroses estão entre os critérios indicados para áreas com histórico do problema.

Verão e safrinha apresentam cenários diferentes

As condições enfrentadas pelo milho de verão e pela safrinha exigem ajustes no acompanhamento.

Nos plantios de verão, as chuvas podem ajudar a retirar parte dos insetos das plantas. A situação muda quando ocorre veranico no início do desenvolvimento. Nessas condições, a recomendação é reforçar a vigilância desde a emergência e principalmente até V6.

Na safrinha, o ambiente geralmente mais seco e quente cria condições favoráveis ao aumento das populações. O controle antecipado de milho tiguera, a utilização de híbridos adaptados às condições de estresse e o monitoramento intensivo ganham importância nesse período.

O escalonamento da semeadura acrescenta outro desafio. Quando existem áreas de milho em diferentes fases de desenvolvimento próximas umas das outras, elas podem facilitar o deslocamento contínuo da praga. Talhões mais novos próximos de lavouras mais avançadas exigem, portanto, vigilância reforçada.

Quando o inseticida foliar se torna necessário, a aplicação deve ser baseada nas condições observadas no campo. Além do nível de infestação, entram nessa decisão o estádio das plantas, a ocorrência de estresse, a previsão de chuva ou seca e a presença de inimigos naturais.

A eficiência da pulverização também depende da tecnologia de aplicação. Volume de calda, escolha do bico e horário precisam permitir que o produto alcance as áreas da planta onde as colônias estão instaladas. Vento forte, temperaturas muito elevadas e misturas não recomendadas devem ser evitados.

O controle químico exige ainda orientação profissional e receituário agronômico. Uso de equipamentos de proteção individual, respeito ao rótulo e à bula, cumprimento dos intervalos de segurança e reentrada e registro das aplicações fazem parte das exigências apresentadas para a operação.

Para o produtor, o principal ponto é que o enfrentamento do pulgão começa antes de uma eventual pulverização. Eliminar plantas que sustentam a população entre cultivos, acompanhar o milho desde a emergência, observar inimigos naturais, utilizar corretamente o tratamento de sementes e decidir pelo inseticida apenas quando as condições indicarem necessidade são medidas que precisam funcionar de forma conjunta.

Em um sistema com milho de verão e safrinha, manter o histórico das ocorrências e das estratégias adotadas também ajuda a orientar as decisões dos ciclos seguintes. O manejo, portanto, depende menos de uma ação isolada e mais da capacidade de identificar o risco no momento certo e combinar as ferramentas disponíveis para cada situação de campo.

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