Margem da soja supera meta, mas exposição segue alta
O quadro atual mostra que o resultado está acima do objetivo
O quadro atual mostra que o resultado está acima do objetivo - Foto: Divulgação
A gestão do risco na soja exige atenção conjunta ao preço, à parcela da produção ainda aberta ao mercado e à margem de lucro projetada para a atividade. A análise é de Rafael Grings, consultor de commodities agrícolas, a partir de um cenário com 3 mil hectares, produtividade de 65 sacas por hectare e custo de R$ 6.100 por hectare.
Com esses parâmetros, a produção total estimada chega a 195 mil sacas. O nível de comercialização está em 30%, equivalente a 58,5 mil sacas já negociadas, enquanto 70% da produção permanece exposta às oscilações do mercado. Ao preço de R$ 115 por saca, a margem atual é de 22,5%, acima da margem desejada de 20%, o que representa uma diferença positiva de 2,5 pontos percentuais em relação à meta.
O quadro atual mostra que o resultado está acima do objetivo, mas a exposição ainda é elevada. Na relação entre risco e retorno, o cenário atual combina maior possibilidade de retorno com maior risco, já que uma parcela significativa da produção segue sem proteção comercial. A leitura reforça que acompanhar apenas o preço da soja não é suficiente para avaliar a posição do produtor.
A sensibilidade da margem também evidencia o impacto das variações de preço. Para cada R$ 1 de mudança no valor da saca, a margem varia aproximadamente 0,5%. Dessa forma, quedas no mercado podem reduzir rapidamente a folga existente sobre a meta, enquanto altas ampliam o resultado potencial.
A estratégia indicada é manter disciplina na gestão da exposição, utilizando ferramentas de proteção para capturar oportunidades com segurança. O acompanhamento do preço da saca e da margem é apontado como essencial para preservar o resultado e ajustar a comercialização conforme o risco assumido.