Mecanização exige capacitação
Mecanização das propriedades agrícolas impulsiona a qualificação da mão-de-obra
melhor remuneração no campo.
Especialista em mecanização agrícola da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o professor Paulo Roberto Arbex Silva ressalta que, diferente do que muitos pensam, a utilização de novas tecnologias nas lavouras não
está acabando com a oferta de empregos. Pelo contrário, está tornando o setor mais rentável e atrativo.
Hoje este tipo de mão-de-obra está diminuindo e estes trabalhadores tendo que se qualificar para continuar no campo. É uma mudança gradativa de cultura”.
Outro benefício apontado pelo pesquisador é a retirada dos trabalhadores de atividades insalubres. “Na atividade canavieira, por exemplo, uma colhedora faz o trabalho de 70 homens. Isso porque consegue trabalhar em ritmo mais acelerado por até 24 horas, enquanto um homem tem limitação de física de 8 horas. Em contrapartida, estes trabalhadores vão buscar outras atividades para se ocupar”.
Um dos maiores desafios é ampliar a oferta de cursos de qualificação. Em Mato Grosso, este trabalho é realizado pelo Serviço de Aprendizagem Rural (Senar) durante o ano todo. Somente em 2012, foram ofertados 250 treinamentos na área de mecanização que atingiram 4 mil trabalhadores.
As perdas por falta de regulagem e manutenção adequada das colheitadeiras, por exemplo, podem gerar prejuízos de até 5 sacas por hectare de soja. “Isso tudo porque uma regulagem não é bem feita, porque não se está aproveitando a velocidade da máquina. Um profissional capacitado consegue obter o melhor de cada equipamento, este é o desafio”.
A demanda reprimida de mão de obra também está ocasionando a migração de profissionais da cidade para o campo, como não se via há anos. “São atividades com boa rentabilidade e emprego certo. Por isso estamos vendo
um cenário inverso do ocorrido nos últimos anos”.