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Meliponicultura uma alternativa sustentável

Tema é abordado no XIII Seminário Estadual de Apicultura, que acontece na UFPel, em Pelotas (RS), até este sábado


Durante o primeiro dia de atividades do XIII Seminário Estadual de Apicultura, que acontece na UFPel, no auditório da Faem, em Pelotas (RS), de 7 até este sábado, foram abordados diversos aspectos da meliponicultura. A meliponicultura se caracteriza pelo processo de cultivo das abelhas-sem-ferrão, que são nativas do Brasil. Existem cerca de 400 espécies diferentes de abelhas da sub-família dos Meliponineos, muitas delas sob grave risco de extinção. No Rio Grande do Sul, em função das características climáticas locais existem apenas 21 espécies conhecidas.


Dentro do conceito de desenvolver práticas agrícolas economicamente viáveis, ecologicamente sustentáveis e socialmente justas, a meliponicultura se adapta como uma alternativa que favorece a diversificação e o melhor uso da propriedade. “Esta é uma atividade que pode se integrar aos plantios florestais, de fruteiras e/ou culturas de ciclo curto e em muitos casos, pode até vir a contribuir no aumento da produção agrícola, pois favorece a polinização”, destacou o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Luis Fernando Wolff.

Ele explica que existem duas diferenças significativas entre as abelhas nativas e as abelhas africanizadas, que possuem ferrão e são da subfamília dos Apineos. “A primeira se refere as características ambientais e sociais, ou seja, as atividades desempenhadas na natureza por essas abelhas que acontecem em sintonia com a flora nativa. O segundo ponto, diz respeito ao fato delas serem mansas e sem ferrão, o que possibilita diversas alternativas de uso, tais como: polinização de cultivos em estufas, criação próximo a residências e na zona urbana, maior envolvimento de mulheres e crianças no manejo, entre outras possibilidades”, acrescentou.

Entretanto, apesar desses pontos positivos, a criação de abelhas melíponas apresenta alguns aspectos que prejudicam sua expansão, especialmente em comparação com o cultivo de Apis melifera. “O mel produzido pelas abelhas nativas é mais perecível, devido à maior quantidade de água, em que o teor de umidade do produto final oscila entre 40 e 50%. Além disso, a produção do mel de abelhas-sem-ferrão é muito menor. Porém, a cadeia produtiva de produtos oriundos da meliponicultura está em processo inicial de articulação”, afirma Wolff.


Essa quantidade reduzida de produção de mel de abelhas nativa tem, por outro lado, um respaldo do mercado consumidor, conforme explica o pesquisador: “o quilo do mel produzido pelas melíponas é muito valorizado, em função da pouca oferta e do seu uso medicinal. Assim, a venda é feita em frascos de 100 gramas, ao custo de R$ 8,00 ou R$ 10,00 (cada)”. Ele destacou o potencial do produto, muito valorizado no exterior, e que tem um sabor e um aroma diferenciado e agradável.

O meliponicultor de Pelotas, Carlos Eduardo Daniel, conta que está cultivando melíponas há dois anos. “Ainda estou fazendo a aclimatação das abelhas e conhecendo as técnicas de manejo das mesmas, que é muito diferenciado da Apis melifera, porém estou satisfeito com os resultados iniciais. Esse evento é importante, pois reúne informações e equipamentos que possibilitam a ampliação dos horizontes no cultivo de abelhas”, disse Carlos.

O XIII Seminário Estadual de Apicultura é uma realização da Federação Apícola do RS, do Núcleo de Apicultores de Pelotas e Zona Sul, da Embrapa Clima Temperado, da UFPel e em parceria com uma série de outras entidades ligadas ao setor. As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa Clima Temperado.
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