Mercado acompanha redução na oferta de arroz
No Paraguai, a semeadura começou no fim de agosto
No Paraguai, a semeadura começou no fim de agosto - Foto: Divulgação
A nova safra de arroz nas Américas começa a ganhar forma com sinais de redução de oferta nos principais polos produtores e atenção para os efeitos do clima sobre o plantio. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, Estados Unidos e Mercosul caminham para uma combinação de menor produção e recuo nas intenções de área.
Nos Estados Unidos, o USDA estima produção de 158,4 milhões de cwt na safra 2026/27, equivalente a cerca de 7,18 milhões de toneladas de arroz em casca, volume 23% inferior ao ciclo anterior. No arroz longo, a queda é maior, com 106,7 milhões de cwt, redução próxima de 30%. Com a colheita em andamento, a USRPA já aponta maior firmeza nos preços, associada à menor safra americana, às incertezas no Mercosul e ao El Niño.
No Paraguai, a semeadura começou no fim de agosto, com intenção de aproximadamente 160 mil hectares, 11% abaixo dos 180 mil hectares da safra passada. No Rio Grande do Sul, o IRGA projeta 861,8 mil hectares, queda de 3,4%. Na Fronteira Oeste, a previsão é de 247,6 mil hectares, redução de 3,7%.
Na Argentina, Entre Ríos indica intenção inicial de 44 mil hectares, cerca de 20% abaixo dos 54,85 mil hectares anteriores, enquanto o excesso de umidade atrasa a pré-semeadura. O Uruguai também se aproxima do período de implantação com perspectiva de redução de área.
A principal incerteza agora é quanto desse potencial será efetivamente semeado dentro da janela ideal. O IRGA alerta para uma primavera com chuvas acima da normalidade no Estado. Em um ano de El Niño, atrasos, maior nebulosidade e menor radiação solar podem comprometer área, produtividade e qualidade. O mercado passa a observar não apenas as intenções, mas quanto arroz realmente chegará ao campo e poderá formar a oferta de 2027.