Mercado de bioinsumos avança na regulação em momento-chave: BioSummit 2026
ABINBIO destaca que alterações regulatórias buscam segurança
Ambiente é de forte expansão - Foto: Divulgação
O mercado de bioinsumos no Brasil alcançou R$ 6,2 bilhões em 2025, segundo levantamento da CropLife Brasil, registrando crescimento de 15% sobre o ano anterior — o maior avanço desde o início da série histórica, em 2022. No cenário global, a consultoria DunhamTrimmer projeta expansão de 10% entre 2025 e 2030, com o setor atingindo US$ 25 bilhões até o fim da década. A América Latina deve superar essa média, com crescimento estimado em 14%, impulsionada sobretudo pelo Brasil, que lidera a adoção de insumos biológicos no mundo nos últimos cinco anos.
Esse ambiente de forte expansão, combinado com avanços regulatórios e maior demanda por soluções sustentáveis, serve de pano de fundo para o BioSummit 2026, que será realizado nos dias 6 e 7 de maio, em Campinas (SP). Em sua terceira edição, o encontro consolida-se como uma das principais plataformas técnicas e institucionais do país voltadas ao ecossistema de bioinsumos e à agricultura regenerativa, com expectativa de reunir mais de 1.000 participantes.
O evento contará com ampla representação institucional e científica, incluindo Embrapa, Universidade Federal de Lavras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Universidade Estadual Paulista, Esalq/USP e o Ministério da Agricultura e Pecuária, além de entidades setoriais como Sindiveg, Aenda, ABINBIO, ANPII Bio e ABBI. O setor produtivo também estará representado por grupos como Bom Futuro, Grupo Scheffer e SLC Agrícola.
Um dos pontos centrais da agenda regulatória será a participação de Rodrigo Souza, assessor jurídico da ABINBIO, no painel de Assuntos Regulatórios, programado para 7 de maio, das 9h às 11h. Com trajetória consolidada no direito regulatório aplicado ao setor de bioinsumos, Souza avalia que o momento é decisivo para a consolidação do mercado:
Segundo ele, “a participação no BioSummit 2026 ocorre em um momento importante para o setor de bioinsumos, não somente pela avançada fase de regulamentação, mas pelo momento de franco crescimento do setor mesmo com o cenário de alterações regulatórias e busca de segurança jurídica para a manutenção das atividades industriais, de pesquisa e desenvolvimento e, sobretudo, busca de investimentos”.
O especialista destaca ainda a convergência entre a agenda regulatória e as políticas públicas em curso: “o momento está de acordo com diversas pautas governamentais, o que exige a interlocução entre todos os setores envolvidos na cadeia de produção dos bioinsumos, desde o campo à indústria, tendo neste momento os órgãos governamentais a importante missão de acomodar todas as demandas para o fim de garantir uma regulamentação eficiente e que, ao mesmo tempo, promova o desenvolvimento da economia e busca por inovação”.
Souza acumula duas décadas de atuação em direito civil e público, com especialização, nos últimos oito anos, em direito regulatório voltado a atividades empresariais e industriais. Ele participou ativamente do processo de regulamentação do marco legal dos bioinsumos, consolidando-se como uma das vozes técnicas na interface entre indústria e governo.
Programação técnica amplia escopo para cadeias estratégicas e inovação
A programação do BioSummit 2026 foi estruturada para cobrir as principais cadeias produtivas do agronegócio. Entre os destaques do primeiro dia está o painel “Cana em evidência”, que abordará desde a importância das formulações para a eficiência dos biológicos até avanços em fixação biológica de nitrogênio. No segundo dia, o foco recai sobre o uso de bioinsumos em sistemas de produção de grãos, com participação de grandes produtores discutindo desafios de escala e tendências de adoção.
A cadeia de hortifruti também ganha protagonismo, com debates sobre aplicação em fruticultura, cooperativismo e agricultura familiar, evidenciando a adaptabilidade dos bioinsumos a diferentes perfis produtivos. No café, um painel específico tratará do controle biológico de nematoides, manejo integrado e aplicação prática de tecnologias sustentáveis.
Outro eixo transversal será a saúde do solo, com discussões que conectam manejo, doenças complexas, estresses abióticos e o papel central do solo na agricultura regenerativa. O tema aparece tanto em painéis estratégicos quanto em apresentações técnicas.
A agenda inclui ainda debates aprofundados sobre a nova legislação de bioinsumos no Brasil, comparações com marcos regulatórios internacionais, registro de produtos e exigências globais, reforçando o posicionamento do país como potencial hub global do setor. Temas como bionematicidas, bioherbicidas, uso de parasitoides, bioinsumos na produção animal e inovação tecnológica também compõem a grade.
Além do conteúdo técnico, o evento contará com área de exposição com empresas do segmento, espaços dedicados a reuniões e networking, e ambientes voltados à geração de negócios — reforçando o caráter estratégico do BioSummit como ponto de convergência entre ciência, regulação e mercado em um setor em plena expansão.