Mercado de defensivos muda com avanço dos genéricos
Importação de defensivos químicos atinge US$ 4,3 bilhões até maio de 2026
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As importações brasileiras de defensivos químicos somaram US$ 4,28 bilhões entre janeiro e maio de 2026, segundo dados atualizados do CropData, da CropLife Brasil. O levantamento, divulgado em São Paulo, mostra queda em valor e volume, mas evidencia o avanço dos produtos genéricos, especialmente entre os formulados, em um mercado que também depende de pesquisa e inovação para renovar tecnologias no campo.
As novas incorporações do CropData ampliam o detalhamento sobre o mercado de químicos no Brasil. A plataforma passou a reunir dados de importação de produtos formulados, importações por ingrediente ativo e comercialização no mercado interno, permitindo analisar valor, volume, preço médio, origem e classe de uso dos defensivos. A base tem como fonte o ComexStat, com elaboração da CropLife Brasil.
Entre janeiro e maio de 2026, as importações de defensivos químicos recuaram 6,8% em valor frente ao mesmo período de 2025, uma redução de US$ 314 milhões. O produto formulado respondeu por US$ 1,4 bilhão, pouco mais de um terço do total importado, e foi o grupo com maior retração no período: queda de US$ 246 milhões em valor e de 15,9 mil toneladas em volume.
O movimento reforça a principal leitura do boletim: a maior presença de produtos genéricos nas compras externas tem pressionado os preços médios dos formulados. O preço médio desse grupo caiu de US$ 6,08/kg nos cinco primeiros meses de 2025 para US$ 5,48/kg em 2026. No mesmo intervalo, o produto técnico teve movimento oposto, passando de US$ 6,63/kg para US$ 6,90/kg.
Os herbicidas lideraram as importações de formulados, com US$ 471 milhões entre janeiro e maio de 2026, o equivalente a 34,2% do valor total, e 112 mil toneladas, ou 44,5% do volume. Na comparação anual, houve queda de 24,4% em valor e de 7,5% em volume. O ticket médio caiu de US$ 5,15/kg para US$ 4,21/kg.
O boletim relaciona esse comportamento ao aumento do uso de herbicidas no campo, impulsionado pela resistência de plantas daninhas, pelo maior número de doses, misturas e aplicações e pela adoção de pré-emergentes no sistema soja-milho-algodão. Em um cenário de margens apertadas e incerteza de crédito para o produtor, os genéricos pós-patente, em média 25% mais baratos e com ampla disponibilidade, ganham espaço nas compras externas.
A China aparece como principal origem dos herbicidas formulados importados pelo Brasil. O país respondeu por 72% do valor, com US$ 338 milhões, e por 90% do volume, com 100 mil toneladas. Estados Unidos e Alemanha vieram na sequência em valor, com US$ 47 milhões e US$ 26 milhões, respectivamente.
Nos inseticidas, as importações somaram US$ 295 milhões nos cinco primeiros meses de 2026, retração de 18,1% sobre 2025. O volume caiu de 31 mil para 24 mil toneladas, baixa de 21,5%. Apesar disso, o ticket médio subiu 4,5%, de US$ 11,78/kg para US$ 12,31/kg. O relatório aponta que a análise é limitada pela concentração de registros em NCMs genéricos, especialmente a categoria “Outros inseticidas, apresentados de outro modo”.
Os Estados Unidos lideraram as importações de inseticidas em valor, com US$ 93 milhões, seguidos por China, com US$ 88 milhões, e Índia, com US$ 39 milhões. Em volume, porém, a China ocupou a primeira posição, com 15,3 mil toneladas, o equivalente a 64% dos inseticidas formulados que entraram no país. Essa diferença explica a forte variação de preço médio entre as origens: US$ 5,72/kg para produtos chineses e US$ 59,05/kg para os norte-americanos.
Nos fungicidas, as importações totalizaram US$ 249 milhões entre janeiro e maio de 2026, queda de 8,7% em relação ao mesmo período de 2025. O volume passou de 58 mil para 52 mil toneladas, retração de 10,2%. Ainda assim, o preço médio avançou 1,7%, de US$ 4,72/kg para US$ 4,79/kg, também com ressalvas sobre a limitação de análise por enquadramento em NCM genérico.
No mercado interno, as vendas de produtos formulados no Brasil somaram 826 mil toneladas em 2024, o equivalente a 7,73 kg por hectare. A comercialização foi liderada pelos herbicidas, seguidos por fungicidas e inseticidas, refletindo a centralidade dessas classes no manejo agrícola brasileiro.
O avanço dos genéricos amplia alternativas de custo para o produtor, especialmente em um momento de pressão sobre margens e crédito. Ao mesmo tempo, o movimento expõe o desafio de equilíbrio para o setor: garantir acesso a produtos mais competitivos sem reduzir o papel da pesquisa, da inovação e do desenvolvimento de novas tecnologias para proteção de cultivos. O CropData passa a oferecer uma leitura mais detalhada desse cenário, permitindo acompanhar como importação, preço e comercialização se conectam às decisões de manejo no campo.