Mercado de trigo mantém viés de alta no Brasil
No Brasil, a colheita avança de forma lenta
No Brasil, a colheita avança de forma lenta - Foto: Pixabay
O mercado de trigo segue sustentado por fatores de oferta, riscos geopolíticos e problemas climáticos, embora movimentos técnicos e expectativas diplomáticas provoquem correções de curto prazo. Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário permanece altista no Brasil e no médio prazo em Chicago, apesar da realização de lucros nos mercados futuros.
No exterior, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém elevado o risco sobre a logística do Mar Negro, enquanto a possibilidade de portos ucranianos permanecerem fechados até dezembro ou janeiro pode restringir exportações. Ao mesmo tempo, compradores europeus e asiáticos vêm aceitando preços mais altos e buscando trigo em origens alternativas. A compra de pelo menos 500 mil toneladas por importadores asiáticos reforça a presença de demanda física.
No Brasil, a colheita avança de forma lenta, com 8,1% da área concluída, abaixo do ritmo de 2025 e da média de cinco anos. No Paraná, os custos de produção subiram 3,43% em agosto, enquanto o excesso de chuvas em áreas produtoras de São Paulo e Paraná aumenta o risco de perda de qualidade. No Rio Grande do Sul, a ocorrência de giberela e a baixa disponibilidade também dão suporte às cotações.
Entre os fatores de baixa estão a tomada de lucros por fundos, as declarações sobre uma possível paz e o avanço acelerado da colheita de trigo de primavera nos Estados Unidos. A maior estimativa de produção da Austrália, elevada para 29,9 milhões de toneladas, também amplia a oferta mundial.
Na análise técnica, Chicago segue em tendência de alta, mas em correção, com suporte entre 710 e 715 centavos por bushel. Paraná e Rio Grande do Sul mantêm estruturas altistas, sinalizando que o mercado físico brasileiro ainda resiste ao movimento de baixa observado no exterior.