Mercado do milho monitora riscos climáticos
Bolsa de Chicago segue focada na safra dos EUA
Foto: Pixabay
O mercado do milho segue atento às condições climáticas que impactam a segunda safra no Brasil, de acordo com a análise “Direto do Campo”, da Grão Direto, produzida pela Grainsights e divulgada nesta segunda-feira (18). A expectativa é de que as oscilações nos preços continuem sendo influenciadas pelas mudanças no clima ao longo de um período considerado decisivo para o desenvolvimento das lavouras.
Segundo a análise, o avanço de uma frente fria deve aumentar o risco de geadas no sul do Paraná, enquanto áreas de Goiás e do Centro-Oeste seguem enfrentando calor intenso e tempo seco. O cenário preocupa produtores por causa dos impactos sobre as lavouras mais tardias da safrinha e do risco contínuo à produtividade.
No mercado internacional, a atenção permanece voltada para a safra norte-americana. A análise destaca que a direção dos preços na Bolsa de Chicago continuará sendo influenciada pelo andamento do plantio nos Estados Unidos e pelas atualizações do relatório Crop Progress. A previsão de uma área menor destinada ao milho no país aumenta a sensibilidade do mercado às condições climáticas, principalmente diante da possibilidade de geadas em áreas recém-semeadas no norte norte-americano.
As exportações brasileiras também seguem no radar do mercado. O relatório aponta preocupação com possíveis impactos das tensões envolvendo o Irã, um dos principais compradores do milho brasileiro. Segundo a análise, novos bombardeios ou sanções podem comprometer o fluxo de embarques para a região do Golfo Pérsico, aumentando a oferta disponível no mercado interno e pressionando os preços do cereal no Brasil.
Outro fator de sustentação para o mercado físico continua sendo a demanda das usinas de etanol de milho no Centro-Oeste. Conforme a análise, os preços internacionais do petróleo mantêm o biocombustível competitivo, estimulando as indústrias a seguirem ativas na compra do cereal e contribuindo para a sustentação das cotações.
No cenário macroeconômico, a valorização do dólar frente ao real continua influenciando o mercado agrícola brasileiro. A análise destaca que as projeções mais elevadas para a inflação e a expectativa de manutenção dos juros em níveis altos reforçam a atratividade da moeda norte-americana. Segundo o último Boletim Focus citado no relatório, a projeção do IPCA para 2026 chegou a 4,92%, enquanto a estimativa para a taxa Selic ficou em 13,25%.
A análise ressalta ainda que o câmbio permanece como um dos principais fatores de suporte para os preços agrícolas no Brasil. Diante desse cenário, a recomendação é de que os produtores acompanhem de perto as oscilações do mercado e avaliem constantemente as margens de rentabilidade.