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Mercado do trigo mantém viés de alta

Argentina segue líder nas vendas ao Brasil


Foto: Canva

Os preços do trigo seguiram em alta no mercado brasileiro durante a semana entre 5 e 11 de junho, impulsionados pela baixa disponibilidade de produto remanescente da safra anterior. A avaliação consta na análise divulgada nesta quinta-feira (11) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), que também aponta um cenário de estabilidade para o mercado internacional diante do avanço da colheita no Hemisfério Norte.

De acordo com a Ceema, o mercado global do cereal busca acomodação nos níveis atuais de preços, influenciado pelo andamento da colheita nos Estados Unidos e em outros países produtores do Hemisfério Norte. Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o preço médio pago ao produtor no novo ano comercial fique em US$ 6,00 por bushel, abaixo dos US$ 6,50 projetados em maio.

No Brasil, entretanto, o cenário é diferente. No Rio Grande do Sul, o saco de trigo de qualidade superior foi negociado entre R$ 69,00 e R$ 70,00 ao longo da semana. No Paraná, as cotações permaneceram em R$ 70,00 por saco. O movimento reflete a oferta limitada da safra velha, em um momento em que os moinhos enfrentam dificuldades para repassar os aumentos ao consumidor final por meio dos preços da farinha.

A disputa entre compradores e vendedores segue presente no mercado paranaense. As indicações de compra dos moinhos variam entre R$ 1.370,00 e R$ 1.400,00 por tonelada CIF, enquanto os vendedores trabalham com valores entre R$ 1.400,00 e R$ 1.450,00 por tonelada FOB. Além da oferta reduzida, o setor acompanha o desenvolvimento da nova safra, marcada pela expectativa de diminuição da área cultivada e pela atenção às condições climáticas nas regiões produtoras.

O plantio nacional de trigo já alcançou 45,3% da área prevista para a temporada, ligeiramente acima da média histórica de 44,7%, segundo dados citados pela Ceema. Até 5 de junho, os trabalhos estavam concluídos em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Goiás e Minas Gerais registravam 99% da área semeada, enquanto o Paraná alcançava 67%, a Bahia 60%, o Rio Grande do Sul 13% e Santa Catarina 2,4%. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou ainda que 19,3% das áreas plantadas já haviam germinado.

A Argentina continua sendo o principal fornecedor de trigo para o mercado brasileiro. As indicações FOB para embarques em julho permaneceram em US$ 245,00 por tonelada para o cereal com 11% de proteína. Entre agosto de 2025 e os primeiros dias de junho de 2026, o Brasil importou 4,49 milhões de toneladas de trigo, volume inferior aos 5,33 milhões registrados no mesmo período do ciclo anterior.

Os estados que mais receberam trigo importado foram Ceará, São Paulo, Bahia e Pernambuco. No período entre abril e junho deste ano, a Argentina respondeu por 85,7% das importações brasileiras, com 1,01 milhão de toneladas embarcadas. Também houve fornecimento da Rússia, da Turquia e do Uruguai, em volumes menores.

A análise da Ceema destaca ainda que o Brasil deverá importar 7,2 milhões de toneladas de trigo e exportar cerca de 2 milhões de toneladas ao longo do atual ciclo comercial.

Para a consultoria Safras & Mercado, o comportamento do mercado nos próximos meses dependerá da evolução da nova safra e do desempenho da indústria moageira. “Enquanto a oferta da safra velha continuar limitada e a nova colheita ainda não ganhar ritmo, o mercado tende a permanecer sustentado, embora sem força suficiente para acelerar o volume de negociações. O comportamento da moagem, da demanda por farinha e da evolução da nova safra serão os principais fatores a definir a direção dos preços do trigo no segundo semestre”, destaca a consultoria.

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