Mercado global limita altas do trigo
No Brasil, a forte redução da área cultivada no Paraná e no Rio Grande do Sul
No Brasil, a forte redução da área cultivada no Paraná e no Rio Grande do Sul - Foto: Divulgação
O mercado de trigo reúne sinais mistos no curto prazo, com fatores climáticos e produtivos sustentando os preços, enquanto o avanço da colheita no Hemisfério Norte e a maior oferta global limitam movimentos de alta. Segundo análise da TF Agroeconômica, a tendência na Bolsa de Chicago é lateral a levemente baixista, com suporte técnico em US$ 6,10 e atenção redobrada aos riscos na Europa.
Entre os fatores positivos estão a onda de calor em importantes regiões produtoras europeias e a redução da estimativa de trigo soft da União Europeia para 126,3 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, aumentou a área de trigo de primavera e durum sob algum grau de seca, embora as chuvas previstas nas Grandes Planícies possam aliviar parte do risco. Na Argentina, o excesso de umidade segue atrasando a semeadura e amplia a incerteza produtiva.
No Brasil, a forte redução da área cultivada no Paraná e no Rio Grande do Sul tende a diminuir a oferta nacional e elevar a dependência de importações. Mesmo com produtividade normal, o Paraná deverá manter déficit próximo de 1,5 milhão de toneladas para atender a indústria moageira, o que dá sustentação aos preços internos. Para o segundo semestre, a perspectiva é de estabilidade com viés de alta, sobretudo se o El Niño provocar problemas no enchimento dos grãos ou na colheita.
A avaliação recomenda cautela nas vendas, com comercialização escalonada em momentos de recuperação. Cooperativas e cerealistas devem priorizar compras graduais e estoques reduzidos, enquanto os moinhos podem manter cobertura de curto prazo, mas ampliar de forma progressiva a proteção para o último trimestre diante do risco de menor oferta doméstica.