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Mercado interno sustenta carne bovina em alta

Preços seguem 6,9% acima do início do ano


Foto: Divulgação

A carcaça casada no atacado paulista foi cotada a R$ 23,56 por quilo na última terça-feira (23), registrando recuo pontual de 1,4% frente ao dia anterior. Apesar do ajuste, segundo dados divulgados pela DATAGRO, as cotações acumulam alta de 6,9% em relação aos níveis observados no início de 2026, reflexo de um mercado interno que tem mantido absorção relativamente positiva da carne bovina ao longo do semestre. O movimento indica acomodação técnica, sem ruptura na tendência de valorização estrutural do produto.

De acordo com a DATAGRO, o recuo registrado na terça-feira (23) não representa uma inversão de tendência, mas sim um ajuste pontual dentro de um ciclo de preços ainda sustentado. O escoamento da carne bovina no mercado doméstico tem sido descrito pela consultoria como relativamente positivo, o que ajuda a explicar por que, mesmo após a correção diária, o patamar de preços segue significativamente acima do início do ano.

A alta acumulada de 6,9% desde janeiro reflete uma combinação de fatores que têm sustentado as cotações da proteína bovina no mercado interno. Entre eles, destaca-se a demanda consistente do varejo e do food service, que continuam operando em ritmo firme, além de um ciclo pecuário que, em algumas regiões produtoras, apresenta menor oferta de animais prontos para o abate em determinados períodos.

O comportamento do atacado paulista é um termômetro importante para o mercado de carne bovina no Brasil. São Paulo concentra parte relevante da demanda industrial e do varejo organizado, e as cotações praticadas na praça influenciam diretamente os preços ao longo de toda a cadeia, do produtor ao consumidor final. A estabilidade relativa dos preços no patamar atual sinaliza equilíbrio entre oferta e procura no curto prazo.

No contexto mais amplo, o mercado de carne bovina brasileiro enfrenta um segundo semestre com variáveis relevantes a serem monitoradas. A evolução das exportações, especialmente para mercados asiáticos como China, Japão e Coreia do Sul, tende a influenciar diretamente a disponibilidade de produto no mercado doméstico e, consequentemente, os preços ao consumidor.

A competição com outras proteínas, como frango e suíno, também é um fator que merece atenção. Com os custos de produção de aves e suínos pressionados pela disponibilidade de milho e soja, o preço dessas proteínas pode exercer algum efeito substituto sobre o consumo de carne bovina, especialmente nas faixas de renda mais sensíveis a preço.

Do ponto de vista do produtor pecuarista, a manutenção das cotações em patamar 6,9% acima do início do ano representa uma janela positiva para a comercialização de animais terminados. A rentabilidade do ciclo de terminação depende, no entanto, do custo de aquisição de bezerros e de insumos, que também sofreram pressão ao longo do período.

O mercado pecuário brasileiro segue sendo acompanhado de perto por analistas e produtores, diante de um cenário externo dinâmico e de uma demanda interna que, apesar dos ajustes pontuais, tem sustentado preços em patamares históricos relevantes. Segundo a DATAGRO, o escoamento relativamente positivo da carne bovina no mercado doméstico continua sendo o principal fator de suporte às cotações no curto prazo.

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