Milho: colheita e clima definem rumo dos preços
Argentina aumenta concorrência ao milho brasileiro
Foto: Agrolink
A colheita do milho safrinha deve continuar ditando o ritmo do mercado nos próximos dias, conforme análise "Direto do Campo", da Grainsights, produzida pela Grão Direto e divulgada nesta segunda-feira (13). Segundo o levantamento, o avanço dos trabalhos de campo, especialmente no Centro-Oeste, tende a ampliar a oferta do cereal e manter pressão sobre as cotações no mercado físico. “Com os trabalhos se encaminhando rapidamente para ultrapassar a marca de 50% em polos vitais do Centro-Oeste, o despejo ininterrupto de grãos inundará fábricas, armazéns e pátios logísticos. Essa entrada de oferta gigantesca atuará como a âncora principal, puxando os preços físicos para viés de forte baixa estrutural no curtíssimo prazo”, aponta a análise.
No cenário internacional, o comportamento das lavouras norte-americanas segue no centro das atenções. A análise destaca que julho corresponde ao período de polinização, etapa considerada decisiva para definir o potencial produtivo da safra nos Estados Unidos. “Relatórios climáticos semanais do USDA (Crop Progress) serão seguidos à risca; surpresas envolvendo calor prolongado nas Grandes Planícies são a única carta na manga capaz de injetar de volta prêmios de clima”, informa o estudo.
Além das condições climáticas, o mercado acompanha os números atualizados pelo relatório WASDE, divulgado em 10 de julho. Conforme a análise, a redução dos estoques finais de milho nos Estados Unidos para 1,8 bilhão de bushels foi baseada na expectativa de exportações mais fortes. “O desafio agora será observar se os EUA sustentarão relatórios de vendas semanais pujantes para justificar a forte absorção demandada, ou se o excelente rendimento esperado do campo diluirá o ajuste”, ressalta o documento.
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No Brasil, a disputa pelo mercado externo deve se intensificar diante da concorrência da Argentina. A análise avalia que a ampla safra do país vizinho, somada ao aumento dos custos do transporte marítimo provocado pelas tensões nas rotas internacionais, tende a pressionar os prêmios pagos nos portos brasileiros. “As tradings no Brasil exigirão prêmios portuários muito achatados para manter o produto nacional atraente frente aos grandes importadores globais e asiáticos”, destaca.
As condições climáticas também permanecem no radar dentro do país. De acordo com a análise, a previsão de novas frentes frias mantém o alerta para possíveis geadas em áreas do Sul, o que pode afetar lavouras de milho em estágios mais tardios. “Lavoura tardia no planalto paranaense ou catarinense poderá sofrer parada de desenvolvimento pelo choque térmico e gerar perdas de potencial produtivo”, informa o levantamento.
O ambiente macroeconômico também influencia as perspectivas para o setor. Segundo a Grainsights, a inflação acima da meta e a manutenção da taxa Selic em 14% ao ano mantêm elevado o custo do crédito rural, refletindo diretamente nas condições do Plano Safra 2026/27. Ao mesmo tempo, a expectativa é de que o dólar continue acima de R$ 5,10, impulsionado pelo cenário econômico brasileiro e pelo mercado de trabalho dos Estados Unidos. “Na Grão Direto, é possível acompanhar cotações de grãos atualizadas em tempo real. Ao identificar preços alinhados à margem de lucro desejada, dá para fechar negócio de forma 100% digital, com segurança e agilidade”, conclui a análise.