Milho: colheita e clima devem mexer com preços
Safra dos EUA segue no foco do mercado global
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A aceleração da colheita do milho safrinha deve ser um dos principais fatores a influenciar o mercado nas próximas semanas. Conforme análise "Direto do Campo", da Grainsights produzida pela Grão Direto, a expectativa é de avanço dos trabalhos principalmente em Mato Grosso e Goiás, favorecidos pela previsão de tempo seco. Com maior volume de grãos chegando ao mercado, a tendência é de aumento da oferta e pressão sobre os preços nas principais regiões produtoras do país.
Outro ponto de atenção é a capacidade de armazenagem nas propriedades e cooperativas. Com a entrada da nova safra de milho e a permanência de estoques de soja em diversas regiões, a disputa por espaço nos silos deve se intensificar. Diante desse cenário, parte dos produtores poderá optar pela comercialização imediata da produção para evitar perdas relacionadas à qualidade dos grãos armazenados por períodos prolongados.
As condições climáticas também permanecem no radar do mercado. Apesar das temperaturas mais elevadas registradas no Centro-Oeste, a possibilidade de novas frentes frias e ocorrência de geadas em áreas produtoras do Paraná e de Santa Catarina mantém a atenção voltada para a Região Sul. Caso o frio atinja lavouras de milho em fases mais tardias de desenvolvimento, os preços podem reagir diante do aumento do risco para a produção.
No cenário internacional, o desempenho da safra norte-americana seguirá sendo acompanhado de perto pelos investidores. Os relatórios semanais sobre as condições das lavouras nos Estados Unidos devem influenciar o comportamento das cotações, especialmente se houver registros de excesso de chuvas ou temperaturas mais baixas que possam comprometer o desenvolvimento das plantações no Corn Belt. Eventuais preocupações com a produtividade tendem a dar sustentação aos preços no mercado global.
Além dos fatores ligados à oferta e ao clima, o ambiente macroeconômico continua exercendo influência sobre o agronegócio. A análise aponta que a combinação de inflação persistente e juros elevados tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos deve manter o dólar em níveis sustentados e sujeito a oscilações. Para os produtores, esse movimento pode amenizar parte da pressão exercida pelos preços internacionais. Nesse contexto, a recomendação é acompanhar atentamente o mercado e aproveitar oportunidades de comercialização que possam surgir ao longo do mês.