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Milho: vendas externas aceleram e passam a disputar oferta interna

Exportações de milho ganham força em agosto


Foto: Divulgação

Os preços do milho permaneceram praticamente estáveis no Brasil, enquanto as exportações do cereal começaram a ganhar ritmo em agosto. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o avanço das vendas externas passa a disputar o milho disponível com a demanda interna, em um momento de conclusão da colheita da safrinha. No Rio Grande do Sul, as principais praças mantiveram cotações próximas de R$ 58,00 por saca. No restante do país, os preços oscilaram entre R$ 45,00 e R$ 62,50 por saca.

Segundo dados divulgados pela CEEMA, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 1,94 milhão de toneladas de milho em julho de 2026. O volume ficou abaixo dos 2,4 milhões de toneladas registrados em junho de 2025, e a média diária de julho permaneceu 20,2% abaixo da observada no mesmo mês do ano anterior. O cenário, porém, mudou no início de agosto. O mês começou com 2,5 milhões de toneladas já nomeadas para exportação, sinalizando uma aceleração das vendas externas.

Nos quatro primeiros dias úteis de agosto, o Brasil embarcou 481 mil toneladas de milho. Desse total, 72 mil toneladas tiveram o Vietnã como destino, 79 mil toneladas foram para a Arábia Saudita e outras 75 mil toneladas seguiram para a China.

De acordo com dados divulgados pela CEEMA, com informações da Agrinvest, os embarques indicam que o milho brasileiro permanece competitivo no mercado internacional.

A Espanha também aparece como importante compradora ao longo do ano. O mercado avalia que, caso o país europeu adquira mais de 600 mil toneladas em agosto, as exportações brasileiras no atual ano comercial poderão superar 40 milhões de toneladas. A projeção ganha relevância diante da estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que aponta exportações brasileiras de milho em 44 milhões de toneladas na safra 2026/27.

Enquanto as exportações ganham ritmo, a colheita da safrinha de milho 2026 segue avançando no país. Segundo dados divulgados pela CEEMA, com base em levantamento da AgRural, a colheita no Centro-Sul brasileiro havia alcançado 79% da área semeada em 6 de agosto. O percentual, contudo, estava abaixo dos 88% registrados no mesmo período do ano anterior.

No Mato Grosso, maior produtor nacional de milho e soja, a colheita da safrinha se aproxima do fim. A estimativa é de produção de 57,4 milhões de toneladas, alta de 3,5% em relação ao ciclo anterior. A área total plantada chegou a 7,43 milhões de hectares, crescimento de 2,4% na comparação anual. A produtividade média ficou estável em 128,7 sacas por hectare.

A demanda mato-grossense de milho, sustentada principalmente pelas usinas de etanol, está estimada em 57,2 milhões de toneladas na safra 2025/26. Segundo dados divulgados pela CEEMA, com base em informações do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o consumo interno deve alcançar 22,1 milhões de toneladas, avanço de 9,1% sobre o ano anterior.

As vendas de milho para outros Estados brasileiros estão projetadas em 11 milhões de toneladas, crescimento de 6,2% na comparação anual. Com isso, as exportações mato-grossenses devem recuar 1,1% neste ano, para 24,1 milhões de toneladas. O cenário mostra uma disputa crescente entre diferentes destinos para o milho produzido no Estado, especialmente diante do aumento do consumo interno.

Os produtores de milho de Mato Grosso encerraram julho com 64,3% da safra 2025/26 já comercializada. Para a safra 2026/27, a comercialização antecipada alcançou 10,6% do volume que deverá ser colhido.

Segundo dados divulgados pela CEEMA, com base no Imea, o ritmo de vendas também permanece elevado para a soja. A safra 2025/26 atingia 93,1% de comercialização, enquanto as vendas antecipadas da safra 2026/27 alcançavam 30,2%. O avanço das exportações de milho em agosto, combinado com a conclusão da safrinha e o crescimento da demanda interna, mantém o mercado brasileiro em um cenário de atenção para a formação dos preços e para a disponibilidade do cereal nos próximos meses.

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