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Milho alcança maior cotação desde 2023 em Chicago

Escalada das cotações ocorreu em meio ao aumento das preocupações com o clima


Foto: Pixabay

O milho encerrou a semana valorizado em Chicago e com melhora nas cotações brasileiras. O primeiro contrato fechou a quinta-feira (27) a US$ 5,10 por bushel, depois de alcançar US$ 5,14 na sessão anterior, maior valor registrado desde julho de 2023. A piora das condições das lavouras nos Estados Unidos foi um dos principais fatores de sustentação do mercado.

Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário, CEEMA, o cereal havia terminado a semana anterior a US$ 4,78 por bushel. A escalada das cotações ocorreu em meio ao aumento das preocupações com o clima e com o potencial produtivo da safra norte-americana.

A parcela das lavouras dos Estados Unidos classificada entre boa e excelente caiu para 57%, ante 60% na semana anterior e 71% no mesmo período de 2025. Apesar da piora na qualidade, o ciclo segue avançado, com 86% das áreas em enchimento de grãos, frente a uma média de 82% para esta época do ano.

Esse quadro reforçou as dúvidas sobre o tamanho final da produção. O Crop Tour Pro Farmer estimou a safra norte-americana em 389,7 milhões de toneladas, abaixo das 406,8 milhões previstas pelo USDA no relatório de 12 de agosto. A produtividade foi calculada em 10.871 quilos por hectare.

Na temporada anterior, os Estados Unidos produziram 432,3 milhões de toneladas, com rendimento médio de 11.706 quilos por hectare. Pelos números apresentados no boletim, a produção atual poderá recuar 4,2%, enquanto a produtividade tende a cair 7,1%.

A valorização externa encontrou reflexo no mercado brasileiro. No fim de agosto, as principais praças do Rio Grande do Sul passaram a trabalhar ao redor de R$ 59 por saca. Nas demais regiões acompanhadas, os preços variaram entre R$ 46 e R$ 66, enquanto Santos e Paranaguá apresentaram referência CIF de R$ 71 por saca.

Ao mesmo tempo, a retirada da safrinha do campo continua abaixo do ritmo médio. A colheita chegou a 84,4% da área nacional, contra média de 87,5%, conforme dados da Pátria AgroNegócios citados pela CEEMA. No Centro-Sul, 92% das lavouras haviam sido colhidas até 20 de agosto, ante 98% no mesmo período do ano passado.

O cenário das exportações, por outro lado, perdeu força. A Anec reduziu para 5,45 milhões de toneladas a expectativa de embarques de milho em agosto, ficando 1,9 milhão abaixo do volume registrado no mesmo mês de 2025. Nos primeiros 15 dias úteis do mês, a média diária exportada pelo Brasil ficou 29,8% inferior à média de agosto do ano passado, conforme números da Secex apresentados no levantamento.

Mesmo com a redução do volume embarcado, o preço médio de exportação avançou. A tonelada passou de US$ 197,90 em agosto de 2025 para US$ 217 no acumulado deste mês, alta de 9,6%. Nas próximas semanas, o comportamento das cotações deverá continuar sensível principalmente às condições da safra norte-americana e ao avanço da oferta no mercado brasileiro.

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