Milho ganha força e amplia renda em Mato Grosso
Sorriso triplica produção de milho em 15 anos
Foto: Pixabay
A produção de milho em Mato Grosso ganhou protagonismo no agronegócio brasileiro e transformou municípios como Sorriso em referência nacional no cultivo do grão. No Dia Nacional do Milho, celebrado em 24 de maio, produtores e representantes do setor destacaram a evolução da cultura no estado, que deixou de ser tratada como “safrinha” para consolidar-se como segunda safra e ampliar sua participação na economia regional e nacional.
Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, Sorriso ampliou sua produção de milho de 1,1 milhão de toneladas na safra 2009/10 para 3,8 milhões de toneladas na safra 2024/25. O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, afirmou que o cultivo começou como alternativa para complementar a renda dos produtores e melhorar as condições do solo.
“Antigamente, era comum soja de 130 dias e, com o uso da tecnologia, o ciclo encurtou, começou a sobrar mais tempo de chuva no estado. Então, na região da BR-163, começou-se a plantar milho como uma fonte extra, para consumo da propriedade, principalmente para adicionar palha e melhorar a qualidade do solo. Esse movimento começou a ser cada vez mais intenso, a ponto de que hoje a gente planta variedades, muitas vezes, de 90 dias de ciclo e produz o milho em uma safra cheia. Então, teve uma intensificação da tecnologia, onde o consumo interno dentro do estado, principalmente através da ração animal e das usinas de etanol, tornou-se mais viável e realmente uma fonte importante para o produtor mato-grossense”, explicou.
A expansão da cultura também refletiu no aumento da área plantada em Sorriso, que passou de 200 mil hectares em 2008 para 440 mil hectares em 2024. Bier ressaltou que o milho ganhou relevância econômica especialmente em períodos de dificuldade para o produtor rural e destacou o avanço do setor de biocombustíveis. “O mercado de biocombustíveis hoje é uma realidade, não é uma promessa, e a gente vê ele em franca expansão. Hoje, temos muitas usinas de etanol de milho a serem construídas e consolidadas dentro do estado, mas os números já impressionam. Atualmente, 13,9 milhões de toneladas de milho são destinadas para a produção de etanol, o que gera 5,6 bilhões de litros de combustível. Para se ter uma ideia, só em imposto são R$ 833,6 milhões de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Além do etanol de milho, a gente tem outros produtos: por ano, 2,2 bilhões de litros de biodiesel são produzidos dentro do estado, além de 2,7 milhões de toneladas de DDG [Dried Distillers Grains]”, afirmou.
Os números da produção de Sorriso representam 6,9% de todo o milho produzido nos 142 municípios de Mato Grosso. Conforme o Imea, o estado colheu 55,4 milhões de toneladas do grão na safra 2024/25, enquanto o município respondeu sozinho por mais de 3,8 milhões de toneladas.
O delegado coordenador do núcleo de Sorriso, Rafael Krzyzanski, atribuiu o desempenho do município ao investimento feito pelos produtores na cultura e ao avanço tecnológico empregado nas lavouras. Segundo ele, o milho se tornou um dos motores da economia local. “Realmente, Sorriso tem hoje esse status de maior produtor de milho do país. Isso mostra também a dimensão do agronegócio brasileiro, porque Sorriso hoje é referência nacional em produtividade, tecnologia e manejo. Além disso, a gente sabe que Mato Grosso sozinho responde por cerca de 30% da produção nacional, e Sorriso está no centro dessa potência agrícola, dessa pujança toda. Isso significa, com certeza, mais arrecadação para o estado, mais geração de emprego, mais movimento em transportadoras, armazéns e comércio. Então, tem muito dinheiro circulando por conta disso”, destacou.
Krzyzanski também afirmou que o desenvolvimento do município está diretamente ligado à persistência dos agricultores que apostaram na produção agrícola e na consolidação da cultura do milho na região.
A delegada do núcleo de Sorriso, Joana Triches, destacou que o milho passou a ter importância equivalente à soja em várias regiões do estado e ressaltou o impacto da atividade na geração de renda e empregos. “Trabalhar com a cultura do milho aqui em Mato Grosso, especialmente na cidade de Sorriso, onde eu resido, é de grande responsabilidade e importância para o nosso estado, porque além de gerar renda, gera também emprego. É uma segunda cultura de bastante valia, que exige muita dedicação. Então, acaba sendo tão importante quanto a cultura da soja hoje no nosso estado, diante da representatividade que essa cultura tem”, destacou.
Joana também afirmou que o avanço tecnológico modificou o perfil da produção agrícola em Mato Grosso, ampliando a presença do milho nas propriedades rurais e exigindo maior planejamento dos produtores. “A produção do milho evoluiu bastante. Hoje, muita tecnologia é aplicada no campo, desde agricultura de precisão, mapeamentos e escolha de híbridos mais tecnológicos. Isso exige mais dos produtores, principalmente em planejamento e gestão. Mas é uma cultura que hoje ocupa praticamente 100% da área em muitas regiões e deixou de ser apenas uma pequena segunda safra”, afirmou.
O Dia Nacional do Milho reforça a relevância do cereal para Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional e mantém o grão como uma das principais bases do agronegócio brasileiro, impulsionando renda, emprego e investimentos no campo.
Com informações da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja)*