Milho segue pressionado pela safra brasileira
Concorrência argentina desafia milho brasileiro
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A oferta elevada de milho deve continuar ditando o comportamento do mercado brasileiro nas próximas semanas. Segundo a análise "Direto do Campo", da Grainsights, produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (27), a conclusão da colheita em Mato Grosso e o avanço dos trabalhos no Paraná devem ampliar a disponibilidade do cereal nos principais polos logísticos, mantendo pressão sobre as cotações no mercado físico.
No cenário internacional, o foco dos investidores permanece voltado para a safra dos Estados Unidos. A análise destaca que agosto é um período decisivo para a cultura, quando ocorre a definição do tamanho das espigas durante a polinização. Caso as previsões climáticas não se confirmem e o calor intenso volte a atingir o Corn Belt por um período prolongado, a expectativa é de uma reação dos fundos de investimento. "Se as previsões climáticas falharem e o calor extremo retornar ao Corn Belt de forma prolongada, os fundos de investimento farão compras massivas para cobrir posições vendidas, o que pode gerar um forte repique altista internacional", aponta o relatório.
O desempenho das lavouras norte-americanas continuará sendo acompanhado por meio do relatório Crop Progress, divulgado semanalmente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Conforme a Grainsights, o mercado busca confirmar se as boas condições das lavouras serão convertidas em produtividade elevada. "Qualquer queda qualitativa reportada pelo governo americano servirá como justificativa imediata para conter as fortes quedas que assombraram a CBOT nas últimas semanas", destaca a análise.
A concorrência entre os exportadores sul-americanos também deve permanecer intensa. A expectativa de uma safra argentina estimada em 64 milhões de toneladas amplia a oferta disponível no mercado internacional e aumenta a disputa pelos compradores, especialmente na Ásia. Segundo a Grainsights, para recuperar competitividade e estimular as exportações brasileiras, será necessário oferecer preços FOB mais atrativos nos portos de Santos e do Arco Norte.
A geopolítica segue entre os fatores monitorados pelo mercado. O relatório afirma que a evolução das negociações envolvendo a guerra entre Rússia e Ucrânia pode influenciar os prêmios do milho. "Se o acordo de paz e a segurança dos corredores marítimos da Ucrânia se consolidarem, grãos do leste europeu voltarão a fluir com facilidade para o Oriente Médio e Europa. Esse fluxo concorrencial retiraria a pressão compradora que hoje se volta para os Estados Unidos e o Brasil, pesando nas cotações globais", informa a análise.
No ambiente macroeconômico, a atenção continua voltada para as decisões do Federal Reserve e para a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos, que podem influenciar o comportamento do dólar e o fluxo de investimentos em commodities. No Brasil, a Grainsights ressalta que a taxa Selic elevada segue favorecendo os ativos locais, enquanto as preocupações fiscais e as tarifas comerciais dos Estados Unidos permanecem no radar, apesar da isenção da tarifa adicional de 25% para produtos como carne bovina, café, itens energéticos e aeronaves. Diante desse cenário, a consultoria recomenda atenção constante às oscilações do mercado. "Nesse ambiente de volatilidade, acompanhar as cotações em tempo real pela plataforma da Grão Direto é fundamental para identificar oportunidades e travar margens de forma ágil e segura", conclui.