Milho tenta recuperação em Chicago
Em Chicago, o primeiro contrato do milho caiu para US$ 4,07 por bushel
Foto: Nadia Borges
O milho encerrou a semana com recuperação parcial na Bolsa de Chicago, mas os custos de produção seguem pressionando a rentabilidade no Brasil, especialmente em Mato Grosso. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA, o mercado acompanhou entre 19 e 25 de junho de 2026 a estabilidade dos preços internos, o avanço da colheita da safrinha e o aumento das despesas no campo.
Em Chicago, o primeiro contrato do milho caiu para US$ 4,07 por bushel em 24 de junho, a menor cotação desde 12 de setembro de 2025. No fechamento da quinta-feira, 25, o cereal reagiu e chegou a US$ 4,14 por bushel. Ainda assim, permaneceu abaixo dos US$ 4,17 registrados uma semana antes, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
Os embarques de milho dos Estados Unidos somaram 1,45 milhão de toneladas na semana encerrada em 18 de junho, ficando no limite mínimo do intervalo esperado pelo mercado. Com isso, o total exportado no atual ano comercial chegou a 67,1 milhões de toneladas, 25% acima do volume registrado no mesmo período do ano anterior, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
No mercado brasileiro, os preços permaneceram estáveis. As principais praças do Rio Grande do Sul indicaram R$ 58,00 por saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 40,00 e R$ 59,00 por saco, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
A colheita do milho safrinha avançava em Mato Grosso e atingia 20,9% da área total no início da semana. A área semeada no estado é de 7,39 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 120,3 sacos por hectare. A expectativa é de uma produção de 53,4 milhões de toneladas, conforme o Imea, citado pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
No Centro-Sul do Brasil, a colheita da safrinha 2026 alcançava 16% da área cultivada em 18 de junho, segundo a AgRural, também citada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
A pressão maior, no entanto, vem dos custos. Levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário, desenvolvido pelo Senar MT por meio do Imea, apontou que o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio. O valor representa alta de 14,46% em relação ao consolidado da safra 2025/26, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
O Custo Operacional Efetivo foi projetado em R$ 5.528,49 por hectare, alta de 15,03% na comparação anual. Para cobrir esse custo, considerando produtividade projetada de 120,28 sacas por hectare, o produtor precisa vender o milho a pelo menos R$ 45,96 por saca. Já o Custo Total foi estimado em R$ 7.418,49 por hectare, aumento de 10,3% frente à temporada anterior, de acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
Ainda em Mato Grosso, a produção cresceu nos últimos seis anos, mas os preços não acompanharam o mesmo ritmo. Em 2020, a média anual da saca foi de R$ 43,24. Em 2021, impulsionada por problemas climáticos, oferta restrita e forte demanda internacional, a cotação atingiu média de R$ 71,14, chegando a superar R$ 78,00 em alguns meses. A partir de 2022, o mercado entrou em acomodação. Em 2023, a média anual caiu para R$ 43,34 e, em 2024, ficou em R$ 41,33 por saca. Em 2026, considerando os preços de janeiro a junho, a média está em R$ 45,31, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
A demanda das indústrias de etanol de milho tem ajudado a sustentar parte do mercado mato-grossense. Em 2026, a expectativa é que essas unidades processem cerca de 16 milhões de toneladas do cereal, volume superior a 30% da produção estadual, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
Mesmo assim, a alta dos custos reduz a margem do produtor. De acordo com o Imea, citado pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA, o Custo Operacional Efetivo passou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 na safra 2025/26, avanço superior a 42%. O Custo Total subiu de R$ 4.395,84 para R$ 6.725,91 por hectare no mesmo período, alta de aproximadamente 53%.
Os fertilizantes e corretivos continuam sendo o principal componente do custo de produção. Na safra 2025/26, eles responderam por 29,6% dos custos operacionais, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
A rentabilidade também recuou. O Lajida passou de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para R$ 683,18 por hectare na safra 2025/26. Para 2026/27, a projeção é de apenas R$ 70,96 por hectare. De acordo com a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA, o preço necessário para viabilizar a produção e permitir ao produtor financiar a próxima safra deveria ficar entre R$ 50,00 e R$ 55,00 por saco. Atualmente, o produtor local recebe entre R$ 38,00 e R$ 44,00.
Em números revisados, analista privado espera uma colheita final de 139,9 milhões de toneladas de milho no Brasil, enquanto a safrinha chegaria a 99 milhões de toneladas, conforme a Safras & Mercado, citada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA.
A expansão das safras também aumenta a pressão sobre a logística. Embora Mato Grosso tenha a maior capacidade instalada de armazenagem do país, com cerca de 57,9 milhões de toneladas, esse volume cobre apenas 52% da produção total de grãos do estado, segundo a Conab citada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário - CEEMA. Considerando apenas soja e milho, a cobertura é de 56%, com déficit estimado em 45,3 milhões de toneladas.