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Modelo da NOAA amplia escala de seus gráficos após prever El Niño acima de 4°C

NOAA amplia escala ao prever El Niño com anomalias acima de 4°C no Pacífico


Foto: Pixabay

As projeções mais recentes para o El Niño levaram um dos principais gráficos utilizados no monitoramento do fenômeno a passar por uma atualização. Segundo informações do Meteored, a versão mais recente do modelo climático CFSv2 ampliou a escala do gráfico que acompanha as anomalias da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, passando de 4°C para 5°C diante do aumento das previsões de aquecimento.

A alteração acompanha a evolução das simulações registradas nos últimos meses e permite representar anomalias que ultrapassaram o limite anteriormente adotado.

As novas projeções chamaram atenção porque passaram a desafiar os limites dos gráficos tradicionalmente utilizados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Na atualização mais recente do modelo CFSv2, iniciada com dados observados entre 24 de junho e 3 de julho, a escala foi ampliada para acomodar previsões que superavam o teto anterior.

A mudança é resultado de uma sequência de revisões ocorridas desde abril. Naquele mês, os gráficos representavam anomalias de até 3°C na região Niño 3.4. Em maio, o limite foi ampliado para 4°C, permanecendo assim durante junho. Com o avanço das projeções, alguns membros do conjunto de previsões passaram a atingir esse limite, motivando uma nova atualização para 5°C.

Apesar do destaque dado às projeções mais elevadas, o Meteored ressalta que o CFSv2 é apenas um dos diversos modelos utilizados para acompanhar o fenômeno. As simulações devem ser analisadas em conjunto com outras ferramentas e não representam, isoladamente, a previsão sazonal oficial do Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA.

O próprio CPC disponibiliza uma segunda família de produtos, denominada Additional CFSv2 SST Forecasts, que aplica correções estatísticas às projeções originais do modelo. Entre essas correções estão os métodos identificados como "PDF correction" e "PDF + Spread correction", desenvolvidos para reduzir vieses sistemáticos e ajustar a dispersão entre os diferentes membros do conjunto de previsões.

Como resultado dessas correções, as projeções tornam-se mais conservadoras. Enquanto os gráficos tradicionais do CFSv2 apresentam membros do ensemble indicando anomalias superiores a 4°C, as versões corrigidas projetam valores próximos de 3°C no pico do evento, patamar que ainda representa um aquecimento muito elevado.

Segundo o Meteored, essa diferença não significa que uma previsão esteja correta e outra equivocada, mas reflete o processo de pós-processamento estatístico empregado para compensar limitações conhecidas do modelo.

O cenário de um El Niño de grande intensidade também aparece em outras simulações climáticas. As previsões mais recentes do modelo europeu ECMWF, iniciadas em julho, indicam parte dos membros do ensemble alcançando anomalias próximas ou superiores a 4°C na região Niño 3.4 durante o pico do fenômeno, sinalizando que esse comportamento não está restrito ao CFSv2.

Ao considerar o conjunto dos principais modelos climáticos, o sinal predominante continua sendo o de um El Niño muito forte. As projeções multimodelo apontam que as anomalias na região Niño 3.4 devem superar 2°C e podem ultrapassar 2,5°C. Caso esse cenário se confirme, o fenômeno poderá figurar entre os episódios mais intensos já registrados.

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