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Moinho Anaconda amplia volumes, mas tem lucro menor em 2009

O bom desempenho dos volumes não impediu a queda do faturamento, que veio na esteira do recuo dos preços do trigo no mercado internacional


O reforço na estratégia de vender farinha de trigo "sob medida" aos clientes industriais alavancou os negócios do Moinho Anaconda e fez a empresa ter um crescimento bem acima da média do mercado no ano passado.

Em 2009, o volume de vendas - guardado sob sete chaves pela empresa - aumentou 7,8% em relação a 2008, em um ano em que o crescimento médio de todo mercado girou em torno de 2%. "Estamos avançando nossa participação no mercado de farinha sob medida. Assim, os clientes que compravam de vários fornecedores, estão concentrando suas compras em uma indústria", explica José Honório de Tófoli, diretor-geral do moinho.

Mas o bom desempenho dos volumes não impediu a queda do faturamento, que veio na esteira do recuo dos preços do trigo no mercado internacional. A receita líquida caiu 5,7% em 2009, para R$ 352,9 milhões. Mas a Anaconda conseguiu um lucro líquido de R$ 44,2 milhões - 12,4% menor que os R$ 50,4 milhões do ano anterior.

"A cotação internacional do trigo caiu, e essa queda chegou à farinha, reduzindo receita e lucro", explica Tófoli. No início de 2008, os preços do trigo na bolsa de Chicago chegaram a atingir US$ 10 por bushel, mas foram regredindo ao longo do ano até os níveis atuais de US$ 5 o bushel.

A forte oscilação na commodity impactou na geração de caixa, expressa pelo indicador Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e que recuou de R$ 72,86 milhões em 2008 para R$ 53,3 milhões no ano passado. A margem lajida também diminuiu de 19,5% em 2008 para 16,2% no ano passado. "Esse indicador também foi afetado por um resultado financeiro menor. Com os juros menores no país, nossas aplicações financeiras também tiveram rentabilidade mais tímidas".

Por outro lado, com maior parte dos seus investimentos feitos com capital próprio, a Anaconda tem uma razoável condição de endividamento no curto prazo, segundo o executivo. Ao fim de dezembro de 2009, o ativo circulante da empresa era de R$ 144 milhões, ante um passivo de curto prazo de R$ 14 milhões.

Para 2010, não estão previstas grandes surpresas no mercado de trigo. Depois do crescimento em volume de vendas expressivo em 2009, a Anaconda espera uma expansão de cerca de 3%, muito próxima da média de crescimento de todo o mercado brasileiro.

O plano de investimentos em atualização tecnológica do moinho também segue neste ano com mais recursos, segundo Tófoli. Serão aplicados R$ 10 milhões em 2010, ante os R$ 7 milhões do ano anterior. "Este será o quarto ano de investimentos consecutivos nesta modernização, que deve ser concluída em mais dois anos".

Com duas unidades de moagem de trigo - uma em São Paulo e outra em Curitiba -, a Anaconda tem capacidade de moagem de 2,5 mil toneladas diárias. No Paraná, a empresa tem no mercado de farinha doméstica (comercializada no varejo) 60% de suas vendas. Já em São Paulo, a farinha para uso industrial responde pela maior parte, cerca de 90% dos negócios da empresa no Estado.

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