Momento da colheita define qualidade da fibra do algodão
Vale lembrar que é necessário avaliar as condições reais de cada talhão
Foto: USDA
Definir o momento de iniciar a colheita do algodão exige equilíbrio. Antecipar demais a operação pode resultar em fibras imaturas e dificuldades no beneficiamento. Por outro lado, deixar os capulhos abertos no campo por muito tempo aumenta o risco de manchas, perdas e queda de qualidade. A atenção deve ser maior entre maio e setembro, quando chuvas tardias, ventos, orvalho intenso e temperaturas mais baixas podem afetar a lavoura. Por isso, a decisão não deve seguir apenas uma data fixa. É necessário avaliar as condições reais de cada talhão.
Um dos principais indicadores é a quantidade de capulhos abertos. A lavoura entra em fase de atenção quando cerca de dois terços dos capulhos dos ramos produtivos já estão abertos. Também devem ser observados o estado das folhas e dos ramos, a uniformidade da maturação e a presença de manchas, podridão ou queda de capulhos.
Os capulhos que ainda permanecem fechados precisam ser avaliados com cuidado. Quando representam uma pequena parte da produção, esperar sua abertura pode não compensar. Nesse período adicional, o algodão já maduro continua exposto à chuva, ao vento, às pragas e às variações de temperatura. A umidade da fibra e da semente também influencia o momento da operação. Algodão muito úmido pode apresentar manchas, aquecimento e problemas de armazenamento. Quando está excessivamente seco, aumenta o risco de quebra da fibra e de danos mecânicos.
O horário diário de colheita deve acompanhar essas mudanças. Em dias com orvalho, a recomendação é iniciar depois que a umidade superficial diminuir. A operação pode precisar ser interrompida quando houver neblina intensa, aumento da umidade ou aproximação de chuva.
A previsão do tempo deve ser analisada junto com a capacidade da fazenda. Máquinas, equipes, transporte e beneficiamento precisam estar preparados para colher toda a área dentro de uma janela segura. Caso muitos talhões amadureçam ao mesmo tempo, a falta de capacidade operacional pode provocar atrasos.
Por isso, é importante definir uma ordem de colheita. Talhões mais maduros ou com maior risco de chuva, vento, encharcamento e ataque de pragas podem ser priorizados. Em alguns casos, é mais seguro colher antes da abertura dos últimos capulhos do que colocar em risco a qualidade da maior parte da produção.
Durante a operação, a equipe deve observar a presença de folhas, ramos e outras impurezas. Esses sinais podem indicar a necessidade de ajustar a colhedora ou esperar melhores condições no talhão. Não existe uma data única para iniciar a colheita do algodão. A decisão depende da cultivar, do clima, da maturação e da estrutura disponível em cada propriedade. Ao combinar observação da lavoura, previsão do tempo e planejamento operacional, o produtor reduz perdas e preserva a qualidade da fibra.