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Monitoramento tardio de percevejos pode comprometer safra de algodão

Demora no controle de percevejos compromete formação das maçãs


Foto: Canva

Entre abril e agosto, período em que o algodoeiro forma suas maçãs, o ataque de percevejos pode comprometer diretamente a produtividade da cultura. É o que explica Thiago Filippin, desenvolvedor de mercado da FMC, para quem o monitoramento constante iniciado ainda na soja é a principal ferramenta para evitar perdas na cultura sucessora. Segundo o especialista, a identificação precoce das primeiras infestações facilita o controle e reduz custos ao longo da safra.

De acordo com Filippin, é justamente na fase de formação das maçãs, quando a flor já foi fecundada, que os percevejos concentram seus ataques. Os insetos possuem aparelho bucal perfurador, com o qual furam os frutos e atingem diretamente as lojas onde se desenvolvem as sementes, causando dano direto à cultura. Por isso, segundo o desenvolvedor de mercado, essa é a fase mais crítica para o algodoeiro.

O especialista da FMC destaca que o Brasil trabalha com um sistema de sucessão de cultivos, no qual percevejos da soja como o percevejo marrom e o percevejo barriga-verde podem migrar para o algodão quando não são controlados adequadamente na cultura antecessora. Filippin pondera, no entanto, que o algodão não é a planta preferida dessas espécies: em níveis populacionais aceitáveis, o dano causado por elas costuma ser pequeno. Já as espécies do gênero Dysdercus atacam exclusivamente o algodoeiro, sem passar pela soja.

Um dos sinais de alerta citados pelo desenvolvedor de mercado é o sintoma conhecido como "bico de papagaio": ao perfurar as câmaras onde crescem as sementes, o percevejo provoca deformação e curvatura nas maçãs. Filippin alerta, porém, que esse sintoma pode ser confundido com deficiência de boro, o que reforça a importância do monitoramento constante para uma identificação correta da causa.

Segundo o especialista, o pico populacional dos percevejos na soja ocorre no final do ciclo reprodutivo da cultura. Como práticas de dessecação antecipam esse ciclo para viabilizar o plantio do algodão em uma janela de semeadura considerada curta , Filippin defende que os tratos culturais na soja sejam realizados em dia, com monitoramento e operação de aplicação bem alinhados. Segundo ele, o objetivo é iniciar o controle antes que os percevejos migrem para áreas vizinhas, se abriguem em beiras de mato e retornem posteriormente para causar dano na cultura sucessora.

Para Filippin, o sucesso do manejo em toda a sucessão de culturas de uma propriedade depende do controle bem-feito já na primeira cultura semeada, geralmente a soja. O desenvolvedor de mercado explica que as primeiras populações de percevejo, que chegam à lavoura após meses sem alimento desde a safra anterior, estão mais debilitadas e, por isso, são mais fáceis de controlar. Segundo ele, identificar essas populações iniciais permite manter os níveis populacionais abaixo do nível de dano econômico o ponto em que o prejuízo causado pela praga supera o custo do controle. Filippin defende que o produtor tenha esses dados calculados com precisão e reforça que agir antes do surgimento das maçãs no algodão, mas com os percevejos já se multiplicando na soja remanescente, é uma estratégia assertiva.

Sobre o manejo integrado de pragas, o especialista da FMC afirma que o monitoramento é hoje um ponto negligenciado nas fazendas e defende que o planejamento seja pensado por ano agrícola, e não isoladamente por cultura. Filippin cita ainda a integração do controle biológico e o uso de produtos de amplo espectro, capazes de controlar mais de uma praga simultaneamente, como caminhos para reduzir a dependência de aplicações químicas. Segundo ele, a FMC vem desenvolvendo novas tecnologias e espera trazer, em breve, soluções de controle biológico para complementar o manejo integrado hoje, segundo o especialista, ainda concentrado majoritariamente em ferramentas químicas.

Filippin também chama atenção para a imprevisibilidade climática de cada safra, que dificulta antecipar qual praga terá maior pressão em determinado ano o que reforça, mais uma vez, a necessidade de monitoramento constante. O especialista destaca ainda o comportamento dos percevejos como fator relevante para a tecnologia de aplicação: nos períodos mais frescos, como o fim da noite e o início da manhã, os insetos tendem a subir até o ponteiro das plantas, tornando-se alvos mais acessíveis no terço superior. Segundo Filippin, ajustar a escolha da gota, o volume de calda e observar temperatura, umidade e vento são fatores igualmente importantes para garantir que o produto atinja o alvo de forma eficaz.

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