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Monsanto faz acordo com cotonicultor

A Monsanto fecha acordo com os cotonicultores sobre a forma de cobrança


Relação avança com produtor, mas piora com a MDM, dona dos direitos sobre o Bollgard no Brasil. A Monsanto acaba de fechar acordo com os cotonicultores sobre a forma de cobrança pelo uso de sua tecnologia Bollgard de algodão transgênico resistente a insetos. Se por um lado o acordo é um passo importante na sua relação com os agricultores, por outro ele fornece mais munição para a briga judicial contra a Delta & Pine Land no Brasil.

A Delta & Pine está processando a Monsanto nos Estados Unidos por quebra do contrato que garantia a ela exclusividade nas vendas do algodão Bollgard no Brasil. Aqui, a venda será feita pela empresa MDM Sementes de Algodão, sociedade entre a Delta & Pine e o Grupo Maeda. Embora nem Monsanto nem Delta & Pine queiram falar sobre o assunto, a segunda ficou incomodada pela iniciativa da Monsanto de assumir a negociação dos royalties, uma vez que a Delta julga que esta seja sua prerrogativa garantida em contrato. O desentendimento deu origem à ação judicial. Procuradas, nenhuma das multinacionais quis se pronunciar.

A disputa comercial que corre em tribunais dos Estados Unidos, onde está a matriz de ambas empresas, não deve se refletir na relação comercial, considerada "sagrada", entre as duas empresas e os produtores de algodão.

Royalties

Prova disso é que a Monsanto publicou em jornais que circulam nas principais regiões produtoras um anúncio sobre o acordo do pagamento de royalties fechado com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

No acordo, ficou estabelecido que os produtores que plantaram ilegalmente algodão transgênico pirata na safra 2005/06 pagarão taxa de US$ 67,77 por hectare plantado, ou US$ 0,0508 por quilo de fibra. A Monsanto fez parceria com indústrias esmagadoras de caroço de algodão e algodoeiras para que o teste de transgenia seja aplicado no caroço e, caso dê positivo, a taxa seja descontada do valor pago ao produtor.

Em relação à safra nova, a 2006/07, os agricultores já estão autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a plantar algodão transgênico. Por isso, será adotado outro sistema de cobrança: o royalty, de US$ 37 por hectare plantado, será cobrado no preço da semente. Em média, são necessários 11 kg de sementes para um hectare de algodão.

"O mais importante é que reconhecemos que a Monsanto tem direito de receber pelo uso de sua tecnologia. A tecnologia é vantajosa e todos sairão ganhando", disse Hélio Tollini, diretor-executivo da Abrapa.

Ele diz que, embora ainda não haja cálculos oficiais, estima-se que a economia média com inseticidas é de US$ 250 por hectare, ou cerca de 10% do custo de produção, de US$ 2.400 por hectare.

A semente de algodão transgênico está sendo produzida pela MDM e estará disponível para a safra 2006/07. A MDM está produzindo uma variedade adaptada exclusivamente ao Mato Grosso. A oferta será suficiente para o plantio de 140 mil hectares no Estado.

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