Nitrogênio no trigo: veja quando aplicar em cobertura
Estádio da cultura deve orientar a decisão
Foto: Canva
Por Aline Merladete, com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo.
Momento da aplicação, estágio da cultura e condições de solo e clima influenciam o aproveitamento do nutriente e o potencial produtivo da lavoura.
A aplicação de Nitrogênio em cobertura no trigo deve se concentrar principalmente entre o perfilhamento e o início do alongamento dos colmos. É nessa etapa que a cultura apresenta crescimento intenso e ainda define parte do número de perfilhos que poderão formar espigas produtivas.
O nitrogênio participa do crescimento da parte aérea, da formação de perfilhos e espigas, do enchimento dos grãos e do teor de proteína. Durante o outono e o inverno, temperaturas mais baixas, chuvas e condições de solo podem reduzir a oferta natural do nutriente e aumentar a importância da cobertura.
Estádio da cultura deve orientar a decisão
A aplicação não deve ser definida apenas pelo número de dias após a semeadura. Cultivar, clima e época de implantação alteram a velocidade de desenvolvimento da lavoura.
Conforme Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo, a decisão deve considerar sinais como número de folhas, início e intensidade do perfilhamento e começo do alongamento dos colmos. Haja visto que, com a expansão da cultura para áreas tropicais e semitropicais, deve-se considerar que o tempo para emissão de afilhos e alongamento de colmos é variável em cada zona tritícola.
Solo muito seco ou encharcado reduz eficiência
A condição de umidade também interfere no resultado. Em solos encharcados, aumentam os riscos de perdas do nutriente devido as perdas por lixiviação especialmente em solos arenosos e danos causados pelo tráfego de máquinas.
Já em solo muito seco, o fertilizante pode demorar mais para se dissolver e chegar às raízes, neste haverá transformação para N gasoso e as perdas serão por volatilização. Condições intermediárias de umidade, com previsão de chuva leve ou moderada após a aplicação, são mais favoráveis.
Fracionamento pode distribuir melhor o nitrogênio
As dosagens de N recomendadas para um teto de produtividade de 3 t/ha, serão em função da cultura anterior o no teor de matéria orgânica (M.O). Sendo após a soja ou outra leguminosa a dosagem varia de 20 a 60 kg/ha de N e após o milho ou outra gramínea de 20 a 80 kg/ha de N. Para teores mais baixos de M.O, aplicar doses mais altas de N. As dosagens, de modo geral, 15 a 20% serão aplicadas no sulco por ocasião da semeadura e o restante em cobertura. Para coberturas com doses superiores a 50 kg/ha, recomenda-se fracionamento em intervalos de 20 a 30 dias. Na expectativa de maiores produtividade, deverá aumentar as dosagens.
Em alguns sistemas, a cobertura pode ser dividida em duas etapas. A primeira aplicação ocorre entre o início e o meio do perfilhamento e a segunda entre o final do perfilhamento e o começo do alongamento.
A estratégia ajuda a distribuir o fornecimento ao longo do período de maior demanda e pode reduzir riscos de perdas provocadas por chuva intensa ou estiagem.
Antecipar ou atrasar demais traz riscos
Aplicações muito precoces podem sofrer perdas antes que a planta tenha capacidade de utilizar todo o nutriente.
Já as coberturas muito tardias, no emborrachamento e florescimento, não trazem grandes acréscimos de produtividade, porém conforme a cultivar, poderá aumentar o teor de proteína e a força de glúten (W). Isso, geralmente não interessa ao produtor, por não receber remuneração pelos acréscimos. (citação de Ubirajara)
Planejamento começa antes da aplicação
Análise de solo, matéria orgânica, histórico da área e expectativa de produtividade devem fazer parte do planejamento. Também é importante considerar quanto nitrogênio será aplicado na semeadura e quanto ficará reservado para cobertura.
Durante o desenvolvimento, o acompanhamento do estádio da cultura, da cor das folhas, do número de perfilhos, da umidade do solo e da previsão do tempo ajuda a ajustar o manejo.
Distribuição uniforme evita falhas
A regulagem dos distribuidores de fertilizantes é outro ponto importante. Excesso de nitrogênio em determinadas faixas pode aumentar o risco de acamamento, enquanto falhas de distribuição podem limitar o desenvolvimento e a produtividade.
Calibração, largura efetiva de trabalho e uniformidade de aplicação devem ser verificadas de acordo com o fertilizante utilizado.
Nitrogênio faz parte do manejo integrado
A eficiência da adubação também depende do restante do sistema de produção. Rotação de culturas, quantidade e tipo de palhada, irrigação e controle de doenças, pragas e plantas daninhas interferem no desempenho da lavoura.
Um manejo equilibrado busca fornecer nitrogênio no momento de maior demanda, evitando tanto a deficiência quanto excessos que aumentem custos, perdas do nutriente ou problemas agronômicos e ambientais.