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Nortox lança Typhoon e Tempus e reforça estratégia de inovação e expansão

Com mais de 70 anos de história, companhia aposta em formulações exclusivas


Foto: Nadia Borges

Com mais de 70 anos de história, companhia brasileira aposta em formulações exclusivas, alianças estratégicas e internacionalização para ampliar presença no mercado de defensivos

A Nortox apresentou nesta terça-feira (15), em São Paulo, dois novos inseticidas que passam a integrar seu portfólio: Typhoon Nortox e Tempus Nortox. Voltados ao manejo de lagartas e outras pragas de importância agrícola, os lançamentos representam uma estratégia que busca ampliar a participação de produtos exclusivos e agregar tecnologia às formulações já conhecidas pelo mercado.

O encontro reuniu Humberto Amaral, presidente do Conselho de Administração; Romeu Stanguerlin, diretor-presidente; Roberto Amaral, diretor administrativo; e João Marcos Ferrari, diretor comercial, que apresentaram a trajetória da companhia, os planos de crescimento e o processo de desenvolvimento das novas soluções.

Mais de 70 anos acompanhando o agro brasileiro

Fundada em 1954, no Paraná, por Osmar Amaral, a Nortox nasceu em um período marcado pela força da cafeicultura e teve entre suas primeiras soluções produtos destinados ao controle da broca-do-café.

A trajetória da empresa foi apresentada por Roberto Amaral, representante da terceira geração da família na gestão. Ao longo das décadas, a Nortox acompanhou as transformações da agricultura brasileira, passando pela expansão do algodão e da soja e ampliando sua estrutura industrial e seu portfólio.

Após 70 anos, a empresa atua em três plataformas: defensivos agrícolas, nutrição vegetal e sementes. Atualmente, cerca de 90% dos negócios estão concentrados em defensivos, enquanto as outras duas áreas respondem conjuntamente por aproximadamente 10%.

Estratégia até 2030 passa por inovação

Sob a liderança executiva de Romeu Stanguerlin, a companhia estruturou seu planejamento em cinco pilares: acesso ao mercado, produtos exclusivos, disciplina estratégica, expansão internacional e capital humano.

Os números apresentados mostram que as vendas passaram de R$ 2,2 bilhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024 e R$ 2,9 bilhões em 2025. O planejamento estratégico prevê a continuidade do crescimento até 2030, preservando, segundo a empresa, rentabilidade e participação de mercado.

Um dos principais focos está na renovação do portfólio. Para acompanhar esse movimento, a Nortox utiliza uma taxa de inovação que considera as vendas de um produto durante um ciclo de quatro anos: o ano de seu lançamento mais os três anos seguintes.

Para 2026, a taxa apresentada pela companhia é de 32%. Entre os produtos que integram essa estratégia estão Scudeiro Nortox, Maximus Evo Nortox, Arkeiro Nortox e, agora, Tempus e Typhoon.

A estrutura de desenvolvimento reúne mais de 100 projetos em diferentes estágios e mais de 3 mil parcelas com tratamentos experimentais. A apresentação também mostrou dezenas de produtos avançando nas diferentes etapas que antecedem o lançamento.

Typhoon e Tempus: inovação também está na formulação

O desenvolvimento dos dois novos inseticidas começou há cerca de cinco anos e partiu da busca por alternativas para ampliar a eficiência no manejo de pragas, especialmente diante da crescente pressão de lagartas nas lavouras.

Segundo o diretor comercial João Marcos Ferrari, o trabalho não se limitou à escolha dos ingredientes ativos. A companhia buscou desenvolver formulações capazes de compatibilizar moléculas com características físico-químicas diferentes e entregar maior estabilidade ao produtor.

O Typhoon Nortox associa clorantraniliprole e metomil, enquanto o Tempus Nortox combina clorantraniliprole e clorpirifós.

O processo teve como ponto de partida o clorantraniliprole. A Nortox trabalhou com uma concentração de 400 g/L, frente aos 200 g/L utilizados como referência na apresentação, e avançou posteriormente para a seleção de moléculas complementares capazes de ampliar o espectro de controle.

A dificuldade estava justamente em reunir ativos com comportamentos diferentes em água e óleo. A partir daí, o desenvolvimento passou das avaliações agronômicas para a área de formulação química.

A proposta, segundo Ferrari, foi entregar uma solução mais estável do que a associação dos produtos realizada separadamente no tanque, reduzindo riscos de incompatibilidade da calda e buscando maior consistência no controle.

Imagem:João Marcos Ferrari - Diretor Comercial

Testes durante dois anos

Após os ensaios internos, as novas formulações foram avaliadas durante dois anos por 11 instituições independentes de pesquisa, conforme apresentado pela Nortox.

Nos resultados mostrados durante o lançamento, os produtos apresentaram ganhos da ordem de 10% a 12% de eficiência em determinadas comparações com misturas de tanque, além de maior efeito de choque e maior estabilidade do controle ao longo dos dias.

As avaliações acompanharam os tratamentos no primeiro, terceiro, quinto, sétimo e décimo dias após a aplicação e consideraram diferentes estágios das lagartas.

Para a companhia, o benefício econômico não deve ser analisado apenas pelo preço do produto, mas pelo custo-benefício do manejo, considerando eficiência, período de controle e eventual redução da necessidade de novas intervenções.

Alianças estratégicas ganham espaço

Outra frente de inovação está nas parcerias com empresas detentoras de moléculas e tecnologias. A Nortox mantém alianças com companhias internacionais e vê espaço para ampliar projetos de codesenvolvimento.

Humberto Amaral, presidente do Conselho de Administração, destacou durante o encontro que muitas empresas internacionais possuem forte estrutura de pesquisa, mas não necessariamente pretendem estabelecer toda a operação necessária para atuar diretamente no Brasil.

Nesse modelo, a Nortox pode agregar capacidade de formulação, experimentação, registro, produção e acesso ao mercado, enquanto o parceiro participa com moléculas e tecnologias.

Para Amaral, a manutenção de capacidade industrial e tecnológica no Brasil também tem caráter estratégico para o agronegócio, reduzindo a dependência exclusiva de produtos formulados no exterior e aumentando a segurança de abastecimento em momentos de ruptura das cadeias internacionais.

A avaliação apresentada pela companhia é de que alianças estratégicas e codesenvolvimento devem ganhar importância na próxima etapa da indústria de defensivos.

México amplia presença internacional

A expansão para outros países também integra o planejamento da Nortox. A empresa já possui atuação em mercados da América Latina e acaba de implementar uma estrutura própria no México, incluindo executivo local, escritório, suprimentos e parcerias para registros.

Segundo Romeu Stanguerlin, a escolha de novos mercados considera não apenas tamanho, mas também potencial de rentabilidade, ambiente de negócios e aderência do portfólio às características de cada país.

No Brasil, aproximadamente 50% das vendas da Nortox são realizadas por distribuidores, 20% por cooperativas e 30% diretamente, principalmente no Cerrado e no atendimento a grandes operações do setor sucroenergético.

Mais de sete décadas depois de iniciar sua trajetória atendendo à cafeicultura paranaense, a Nortox busca combinar sua origem industrial brasileira com uma nova fase de desenvolvimento tecnológico e internacionalização.

Typhoon e Tempus chegam ao mercado como parte desse movimento, em que a inovação não está apenas nos ingredientes ativos utilizados, mas também na forma de combiná-los, formulá-los e transformá-los em novas ferramentas para o manejo no campo.

Romeu Stanguerlin - Diretor Presidente

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