Nova cultivar promete ampliar produção de cebola
Lançamento oficial da BRS Belatriz ocorrerá durante a AgroBrasília 2026
Foto: Pixabay
Pesquisadores da Embrapa desenvolveram a cebola híbrida BRS Belatriz, cultivar criada para o cultivo de verão nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. A nova variedade foi desenvolvida para suportar temperaturas elevadas, chuvas intensas e doenças comuns nesse período do ano, considerado de maior risco para a produção da hortaliça.
Tradicionalmente, a cebola é cultivada no inverno, quando as temperaturas são mais amenas. Durante o verão, o calor e os dias mais longos aceleram o processo de bulbificação, reduzindo o tamanho comercial dos bulbos e afetando a produtividade. Além disso, o ambiente quente e úmido favorece o avanço de doenças que comprometem a lavoura.
A BRS Belatriz apresenta resistência moderada à queima foliar bacteriana, uma das principais doenças da cultura nas áreas de Cerrado. Em condições adequadas de cultivo, a produtividade pode alcançar cerca de 70 toneladas por hectare, com predominância de bulbos das classes 3 e 4, mais valorizados pelos mercados atacadista e varejista. “O produtor já plantou cebola nesse período, mas utilizou materiais desenvolvidos principalmente para cultivo de inverno, o que aumentou muito os riscos da produção”, explica o agrônomo Valter Oliveira, responsável pelo desenvolvimento da cultivar.
O lançamento oficial da BRS Belatriz ocorrerá durante a AgroBrasília 2026, programada entre os dias 19 e 23 de maio, no Distrito Federal.
Segundo a Embrapa, a nova cultivar mantém desenvolvimento adequado mesmo em temperaturas acima de 33°C, consideradas críticas para a cultura. A resistência à bulbificação precoce sob calor intenso permite a formação de bulbos com padrão comercial adequado mesmo em condições adversas.
Outro diferencial é a resistência moderada a doenças favorecidas pelo clima quente e chuvoso, como antracnose e mancha-púrpura, além da tolerância ao nematoide-das-galhas e resistência moderada à raiz rosada. Em casos severos, essas doenças podem comprometer o desenvolvimento das plantas e inviabilizar a produção.
A cultivar pertence ao grupo das cebolas amarelas de ciclo precoce, destinadas ao consumo fresco. Os bulbos apresentam formato arredondado e uniformidade de maturação, características importantes para comercialização. O material também possui pungência mais elevada, responsável pelo sabor mais intenso valorizado pelo consumidor brasileiro.
O programa de melhoramento genético da cebola híbrida da Embrapa começou a ser reestruturado no início dos anos 2000. Inicialmente, os estudos focaram em cultivares de inverno, segmento dominado por empresas multinacionais. Com o avanço das pesquisas, os pesquisadores passaram a investir em materiais adaptados ao cultivo de verão.
A nova etapa do programa reuniu híbridos obtidos a partir de cruzamentos entre linhagens nacionais e materiais estrangeiros, buscando combinar produtividade, resistência a doenças, adaptação ao calor e qualidade comercial.
Em 2018, os primeiros testes em áreas comerciais mostraram o potencial das linhagens que deram origem à BRS Belatriz. Os ensaios indicaram desempenho superior, principalmente em ambientes com elevada pressão de doenças.
O cultivo de cebola no verão ocorre principalmente entre dezembro e janeiro, com colheita a partir de maio. Nesse período, a produção da região Sul começa a diminuir, abrindo espaço para melhores preços no mercado. Segundo Oliveira, o fortalecimento da produção de verão pode ajudar a reduzir oscilações na oferta e diminuir a dependência de cebolas importadas durante a entressafra, especialmente da Argentina.
Apesar do potencial da nova cultivar, a produção de cebola no verão ainda é considerada uma atividade de maior risco e dependente das condições climáticas. Chuvas excessivas podem afetar a emergência das plantas, favorecer doenças e elevar os custos de manejo.
Por isso, os testes com produtores continuam sendo realizados para aprimorar as recomendações de manejo da BRS Belatriz, principalmente em relação à adubação nitrogenada. A expectativa é ampliar a competitividade da cadeia produtiva e garantir maior estabilidade na oferta de cebola em períodos de entressafra.