Nova onda de oferta derruba preços do trigo
O dado reforçou a percepção de oferta mais folgada
O dado reforçou a percepção de oferta mais folgada - Foto: Canva
O mercado internacional de trigo registrou uma semana marcada por pressão negativa nas cotações, refletindo o aumento da oferta global e a redução de riscos produtivos em importantes regiões. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o principal fator de baixa foi a divulgação do relatório do USDA, que elevou os estoques finais dos Estados Unidos de 25,34 para 25,52 milhões de toneladas, acima do esperado pelo mercado.
O dado reforçou a percepção de oferta mais folgada e reduziu o prêmio de risco, impactando diretamente as cotações em Chicago. Ao mesmo tempo, a melhora das condições climáticas nas Grandes Planícies, com chuvas recentes e previsão de continuidade, favoreceu o desenvolvimento do trigo de inverno e o início do trigo de primavera, diminuindo incertezas sobre a produção.
No cenário global, a ampliação da oferta também foi influenciada pela Rússia, que anunciou aumento de 5 milhões de toneladas na cota de exportação de grãos, intensificando a concorrência no mercado internacional. Na Europa, a perspectiva de uma boa safra, especialmente na França, onde 84% das lavouras estão em condições boas ou excelentes, reforça o ambiente de preços pressionados. Esse movimento foi acompanhado pela queda nos contratos negociados na Euronext, confirmando o viés baixista.
Apesar disso, fatores de sustentação ainda limitam perdas mais acentuadas. Nos Estados Unidos, apenas 35% das lavouras estão em boas ou excelentes condições, abaixo dos 48% do ano anterior, enquanto 68% das áreas enfrentam algum nível de seca. Esse cenário mantém um componente de risco climático, especialmente diante da necessidade de continuidade das chuvas.
No Brasil, o mercado doméstico segue firme, com preços em alta no Paraná e no Rio Grande do Sul, sustentados pela oferta restrita e comercialização lenta. No aspecto técnico, o mercado perdeu suporte na faixa de 580, indicando tendência de baixa no curto prazo. Os próximos suportes estão entre 570 e 560, enquanto a resistência se posiciona entre 585 e 600. Caso o nível de 570 seja rompido, pode haver aceleração das quedas, enquanto a sustentação pode levar a um movimento de estabilização.