Nova ordem global amplia riscos econômicos
A política econômica tende a incorporar cada vez mais objetivos de segurança
A política econômica tende a incorporar cada vez mais objetivos de segurança - Foto: Pixabay
A reorganização da economia global tende a ganhar força em meio à ampliação dos conflitos, às disputas comerciais e à busca dos países por maior segurança em cadeias consideradas estratégicas. Na avaliação do Rabobank, esse ambiente reduz as chances de retorno à antiga ordem econômica mundial e amplia os riscos para empresas, investidores e governos.
A instituição resume esse novo cenário pela sigla P.E.A.C.E., formada por protecionismo, energia e commodities, armamentos e inteligência artificial, bancos centrais e uso de instrumentos econômicos como parte da estratégia dos Estados. No comércio, tarifas, subsídios, exigências de conteúdo local e restrições a investimentos refletem a disputa por capacidade industrial, tecnologia e empregos.
Energia e matérias-primas também ocupam posição central. A necessidade de diversificar fornecedores, manter estoques estratégicos e criar capacidade de reserva aumenta custos, mas passa a ser tratada como proteção contra interrupções. O mesmo movimento alcança minerais críticos, cobre, combustíveis, portos e rotas de transporte.
Na área militar, a competição envolve drones, munições, semicondutores, satélites, infraestrutura de nuvem e inteligência artificial. Esse esforço pressiona gastos públicos e pode elevar a demanda por financiamento, ao mesmo tempo em que choques de oferta dificultam a atuação dos bancos centrais.
Para o Rabobank, a política econômica tende a incorporar cada vez mais objetivos de segurança nacional. Com choques geopolíticos capazes de atingir energia, inflação, contas públicas e moedas em sequência, a preparação para rupturas passa a ganhar espaço sobre a busca exclusiva por eficiência.