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O Campo Conectado: Como a IA vem transformando o agro

IA revoluciona o agro com inovações para campo e pecuária apresentadas na Tecnoshow


Foto: Divulgação

A cada dia que passa, por mais que pareça distante dos centros urbanos, a sigla IA, ou Inteligência Artificial, chega para fazer parte do cotidiano do produtor rural. Em algum momento de seu dia, o produtor já utilizou o reconhecimento facial, fez uma pergunta ao ChatGPT ou solicitou ajuda a um aplicativo para traçar a rota mais rápida até um destino.

As novas tecnologias estão cada vez mais presentes no meio rural e, pensando nisso, a COMIGO criou o Pavilhão de Tecnologia durante a edição da Tecnoshow 2026. Este foi o momento ideal e o local perfeito para aproximar o produtor deste novo universo, que se faz presente em todas as atividades econômicas. No pavilhão, os visitantes puderam conferir as propostas tecnológicas que os expositores trouxeram para o setor.

A própria Cooperativa demonstrou suas soluções em automação industrial e manutenção preditiva, além de projetos consolidados como o DRIS Comigo, SuperPec e o app do cooperado. Também esteve presente o HUB Goiás Rio Verde, trazendo diversas startups selecionadas especificamente com soluções ligadas ao agro.

Inteligência artificial e aprendizado de máquinas 

Sem dúvida, a Inteligência Artificial é um dos grandes assuntos do momento em todas as áreas, principalmente na economia. Mas o que é a IA e como ela pode ser utilizada no agro? 

Para responder a essa pergunta, o próprio Gemini — que é um modelo de IA, assim como o ChatGPT — define-se de modo simplificado como um “estagiário superdotado”, capaz de desempenhar, em pouco tempo, tarefas que exigiriam muito esforço humano.

Como exemplo, a IA pode detalhar as produtividades e caracterizar as atividades de cada talhão de uma fazenda ao longo do tempo, aprendendo a reconhecer padrões em fotos e imagens. Ela também pode acessar um volume quase infinito de informações agronômicas, como se todos os livros e trabalhos sobre um tema estivessem disponíveis para responder a qualquer pergunta instantaneamente.

Seus usos na agricultura e pecuária são vastos. Hoje, um drone com tecnologia embarcada consegue sobrevoar um perímetro definido, diferenciar uma planta daninha da cultura e realizar a pulverização precisa, na dose certa, apenas sobre a invasora. Nesse processo, a IA foi “treinada” pelo ser humano para “enxergar” e distinguir a soja da planta invasora.

Na pecuária, uma câmera filmando as vacas leiteiras no cocho 24 horas por dia, associada a uma IA treinada com algoritmos (um “manual de instrução” baseado em dados), consegue identificar cada animal individualmente pelas manchas na fronte ou pelo brinco. O sistema pode predizer se o animal está doente, no cio ou com acesso restrito à comida, baseando-se apenas na observação da frequência e do tempo de acesso ao cocho.

Todo esse “conhecimento” adquirido pelas máquinas através do treinamento humano é o que chamamos de Aprendizado de Máquinas ou Machine Learning.

Conheça um pouco dessa tecnologia sendo aplicada de verdade:

Inclusive, essa foi uma das temáticas da palestra no auditório 3 na Tecnoshow, tratando sobre “Agro, Pecuária e IA: Eficiência com sustentabilidade”, que trouxe como a aprendizagem de máquinas e a IA podem promover o aumento na eficiência de insumos agrícolas respeitando consequentemente o meio ambiente e os recursos nautrais.

Ecossistema de Startups 

Como mencionado, uma das novidades do Pavilhão de Tecnologia foi a presença de startups ligadas ao agro. Por serem, em sua maioria, pequenas empresas formadas por empreendedores de diferentes áreas, elas necessitam de instituições de suporte que façam a “ponte” entre as dificuldades do produtor e as soluções desenvolvidas.

Essa é a função dos chamados Hubs de Inovação. Além do Hub, outros personagens compõem esse ambiente, também chamado de “Ecossistema”, como universidades, cooperativas, institutos de pesquisa, o poder público e agentes financeiros.

Quem visitou o HubGoiás Rio Verde na Tecnoshow viu de perto soluções que vão desde o uso de plantas nativas do cerrado, como o pequi, para fins medicinais, até softwares de gestão que calculam a produtividade e os custos de cada talhão.

A “Área Cinzenta” da IA 

O uso da IA é um caminho sem volta. A discussão sobre a substituição do emprego humano pela máquina é frequente, pois muitos processos estão sendo redefinidos pela automação. Por isso, é cada vez mais necessário entender esses conceitos para avaliar, com critério e segurança, se a implementação de uma tecnologia vale a pena.

É importante lembrar que a resposta de uma IA para uma dúvida técnica sobre defensivos, por exemplo, deve ser sempre validada por um agrônomo. Isso porque a máquina pode apresentar o que chamamos de “alucinação”: respostas sem nexo com a realidade, criadas apenas para preencher o conteúdo. As máquinas não têm “filtro”; elas apenas fazem conexões lógicas sobre as informações que recebem.

Outro ponto de atenção é a gestão dos dados. A IA se alimenta de informações que podem ser sensíveis ao produtor. Hoje, além da LGPD, tramita no Congresso o PL 2.338/2023, que irá regulamentar o uso da IA no país.

Um convite ao futuro 

A IA veio para ficar. Talvez estejamos apenas na “ponta do iceberg” de suas possibilidades na agropecuária. No entanto, fica a reflexão: embora toda essa tecnologia esteja à disposição, por trás de cada máquina e de cada algoritmo, ainda existem — e são fundamentais — as pessoas.

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