O dado escondido que expõe a força das cultivares
A leitura trata a semente salva como indicador de retenção agronômica
A leitura trata a semente salva como indicador de retenção agronômica - Foto: Canva
A semente reservada para uso próprio revela mais do que uma saída do mercado certificado, pois indica quais cultivares continuam relevantes depois do teste no campo. Segundo análise de Alexandre Garcia, baseada em dados públicos do Anexo 33 do Ministério da Agricultura, a safra 2025/26 reúne mais de 21 mil registros e 2,1 milhões de hectares declarados, ante 3,35 milhões de hectares inscritos para sementes certificadas.
A leitura trata a semente salva como indicador de retenção agronômica. Diferentemente de uma compra influenciada por crédito, prazo ou campanha comercial, a decisão de reservar sementes tende a refletir a aprovação do produtor sobre desempenho, adaptação e resultado da genética utilizada.
Na distribuição por biotecnologia, IPRO e I2X somam 78% da área analisada, em linha com a participação nas classes comerciais certificadas. A base inicial de sementes Básica e Genética mostra transição acelerada, com redução de Intacta RR2 PRO® e avanço de Intacta 2 Xtend®.
O levantamento também relaciona participação à profundidade de portfólio. Intacta RR2 PRO® aparece com 213 cultivares na base salva, seguida por Intacta 2 Xtend®, com 168. Plataformas com menos opções mostram maior concentração. Na Enlist E3®, duas cultivares representam mais de 82% da área salva, enquanto na Xtend® uma cultivar responde por 64%.
A distribuição regional reforça que a vida agronômica pode superar a vida comercial. O Rio Grande do Sul lidera em volume absoluto e concentra quase toda a área de RR1, além de grande parte de Enlist E3® e Xtend®. Mato Grosso apresenta participação reduzida. Os dados podem apoiar decisões sobre renovação de portfólio, posicionamento regional e dependência de poucas cultivares, mas não representam projeção de vendas nem capturam o mercado informal.